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Governo Temer pode fazer florestas protegidas virarem pó na Amazônia

Escrito por Romerito Aquino (*) em .

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POLÍTICOS DO AMAZONAS PEDEM A MICHEL TEMER EXCLUSÃO DE ÁREA PROTEGIDA SUPERIOR À DA RESEX CHICO MENDES, A MAIOR DO BRASIL

Maior ave de rapina do mundo, o Gavião Real também é ameaçado pela devastação da floresta amazônica - Foto ICMBioMaior ave de rapina do mundo, o Gavião Real também é ameaçado pela devastação da floresta amazônica - Foto ICMBio

Um milhão de hectares da floresta amazônica podem virar pó em breve no Sul do Amazonas, região que já vem sendo ameaçada, nos últimos anos, pela crescente devastação causada pelo avanço de madeireiras e pecuaristas por sobre o maior estado florestal do planeta.

A ameaça vem da parte de políticos amazonenses, que acabaram de pedir ao governo de Michel Temer que adote medida provisória ou apresente projeto de lei do Congresso reduzindo em 35% as áreas protegidas da Reserva Biológica do Manicoré, do Parque Nacional de Acari, das Florestas Nacionais do Apurinã e de Urupadi e da Área de Proteção Ambiental dos Campos de Manicoré.

O pedido foi feito pelos políticos amazonenses ao ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, para que a área a ser excluída - superior à da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, no Acre, a maior do país, com 931 mil hectares - deixe de ser considerada protegida por lei, atendendo a interesses de pecuaristas e madeireiros da região sul-amazonense.

Localização das unidades de conservação do Amazonas, criadas por Dilma Rousseff antes de sair do governo - Foto ICMBioLocalização das unidades de conservação do Amazonas, criadas por Dilma Rousseff antes de sair do governo - Foto ICMBio

A redução das unidades de conservação do Amazonas gerou protesto de um grande grupo de ambientalistas, encabeçado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), que lançou esta semana um manifesto contra a possível decisão favorável à exclusão preservacionista, que corresponde, sozinha, a 0,63% do território amazonense.

“Remover esta proteção de um milhão de hectares contribuirá para o já notável aumento do desmatamento na Amazônia, comprometendo também a credibilidade do Brasil diante da comunidade internacional, influenciando negativamente a imagem conquistada após esforços bem-sucedidos no combate ao desmatamento e às mudanças climáticas”, assinala o manifesto.

Além dos ambientalistas do IEB, assinam também o manifesto os ambientalistas das organizações não-governamentais do Greenpeace Brasil, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), do Instituto Socioambiental (ISA), do WWF-Brasil e de mais 12 entidades ambientalistas.

Florestas foram criadas pela presidenta Dilma Rousseff

As áreas protegidas, agora ameaçadas, foram criadas pela ex-presidente Dilma Rousseff um dia antes do Congresso afastá-la da Presidência da República. O manifesto das ONGs foi direcionado ao presidente Temer, aos ministros Sarney Filho, do Meio Ambiente, e Eliseu Padilha, da Casa Civil e aos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia e do Senado Federal, Eunício Oliveira.

Florestas ameaçadas foram criadas por Dilma Rousseff no Sul do Amazonas no total 2,6 milhões de hectares - Foto ICMBioFlorestas ameaçadas foram criadas por Dilma Rousseff no Sul do Amazonas no total 2,6 milhões de hectares - Foto ICMBio

No manifesto, as entidades ambientalistas ressaltam a importância da criação das unidades de conservação com a finalidade de reduzir os fortes impactos observados no Sul do Amazonas, decorrentes do processo de ocupação irregular que resultou no aumento expressivo da taxa de desmatamento na região.

O documento assinala que a manutenção dessas áreas protegidas é crucial para a conservação da biodiversidade regional e para o desenvolvimento de políticas regionais, além de contribuírem com as metas e compromissos estabelecidos pelo governo brasileiro em suas políticas públicas internas e estruturadas através do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) e do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAM).

O compromisso de preservação das florestas brasileiras também está previsto nos Acordos Internacionais assinados pelo país, tais como a Convenção da Diversidade Biológica e a Convenção do Clima. Veja AQUI a íntegra do manifesto.

(*) Com Sabrina Rodrigues, do jornal O ECO

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