Imprimir

Amazônia ganha mais importância na regulação atmosférica

Escrito por Romerito Aquino (*) em .

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Pesquisas revelam que a floresta amazônica emite três vezes mais isopreno do que os cientistas estimavam

Bioma da floresta amazônica promove a regulação atmosférica  - Foto Planeta BiologiaBioma da floresta amazônica promove a regulação atmosférica - Foto Planeta Biologia

Considerada a maior, a mais rica e mais bonita floresta tropical do planeta, a Amazônia acaba de ganhar importância ainda maior para o equilíbrio climático do planeta em que vivemos, que hoje corre sérios riscos por conta do aumento dos gases de efeito estufa.

Isso ocorreu porque medições aéreas feitas no âmbito da campanha científica Green Ocean Amazon Experiment (GoAmazon) revelaram que a floresta amazônica emite pelo menos três vezes mais isopreno do que estimavam os cientistas. Essa substância é considerada um dos principais precursores do ozônio na Amazônia, interferindo, de forma indireta, no balanço de gases de efeito estufa na atmosfera.

Segundo Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e coordenador do GOAmazon, a descoberta explica uma série de questões antes não compreendidas, como por exemplo as altas concentrações de ozônio encontradas vento abaixo de Manaus (AM), que não podiam ser explicadas pela ação antrópica.

Fábricas emitem gases de efeito estufa que ameaçam a camada de ozônio - Foto Pensamento VerdeFábricas emitem gases de efeito estufa que ameaçam a camada de ozônio - Foto Pensamento Verde

O isopreno é um dos compostos orgânicos voláteis (VOCs, na sigla em inglês) emitidos naturalmente pela vegetação amazônica. Além disso, é uma das fontes dos aerossóis orgânicos secundários que servem de núcleo de condensação de nuvens, ajudando a regular o ciclo hidrológico na região.

Ao se decompor, o isopreno dá origem a diversos subprodutos, sendo um deles o radical hidroxila (OH). Essa molécula, em certas condições, quando encontra com o oxigênio atmosférico (O2), dá origem ao ozônio (O3. Em altas concentrações, o ozônio pode irritar os estômatos das plantas, que são os canais usados na troca de gases e na transpiração, dificultando a fotossíntese e a assimilação de carbono pela vegetação.

“Além disso, o radical OH controla a oxidação do metano na atmosfera, outro importante gás de efeito estufa. Dependendo da situação, o radical OH pode prolongar ou reduzir a meia-vida do metano, com implicações para o balanço de gases de efeito estufa”, segundo explicou o professor Paulo Artaxo.

Essencial para proteger os seres vivos das radiações solares, camada de ozônio está ameaçada pelos gases de efeito estufa - Foto DivulgaçãoEssencial para proteger os seres vivos das radiações solares, camada de ozônio está ameaçada pelos gases de efeito estufa - Foto Divulgação

Maior fonte mundial de isopreno

Para o estudioso, a Amazônia já era considerada a maior fonte mundial de isopreno mesmo antes das novas descobertas. “Esses resultados reforçam a relevância desse ecossistema na regulação da química atmosférica tropical do planeta. Agora, precisamos incluir os resultados nos modelos climáticos globais para saber exatamente qual é o efeito climático desses novos valores de emissões”, completa o professor Artaxo.

Iniciada em 2014, a campanha científica GOAmazon visa, entre outros objetivos, investigar o efeito da poluição urbana de Manaus sobre as nuvens amazônicas, avançando no conhecimento sobre os processos de formação de chuva e a dinâmica da interação entre a biosfera amazônica e a atmosfera.

Com base nesses achados, os pesquisadores pretendem estimar mudanças futuras no balanço radiativo, na distribuição de energia, no clima regional e seus impactos para o clima global. O consórcio conta com financiamento do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês), da FAPESP e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), entre outros parceiros.

(*) Com Karina Toledo, da Agência da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp)

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn