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Novas espécies já surgem na Amazônia correndo risco de extinção

Escrito por Romerito Aquino (*) em .

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Uma das aves recebeu o nome do sindicalista Chico Mendes. Pesquisadores descobrem 381 novas espécies em áreas consideradas de riscos. 

Ave Zimmerius Chicomendesi, o poiaeiro-de-chico-mendes  - Foto Fábio SchunckAve Zimmerius Chicomendesi, o poiaeiro-de-chico-mendes - Foto Fábio Schunck

O risco para a biodiversidade da Amazônia, a maior, a mais rica e mais bonita floresta tropical do mundo, está chegando a tal ponto que as suas incontáveis espécies de vida nem sequer “nasceram” totalmente para o mundo e já correm o grave risco de serem extintas.

É o que constataram os pesquisadores da organização WWF e do Instituto Mamirauá pelo Desenvolvimento Sustentável ao descobrir, entre os anos de 2014 e 2015, o total de 381 novas espécies em áreas da região consideradas de riscos por atividades humanas.

As novas espécies descobertas foram 216 de plantas, 93 de peixes, 32 de anfíbios, 20 de mamíferos, 19 de répteis e uma pequena ave, até então desconhecidas. A ave foi encontrada na Floresta Nacional de Humaitá, no Amazonas, e recebeu o nome científico de Zimmerius chicomendesi, em homenagem ao ambientalista e sindicalista acreano Chico Mendes, assassinado em 1988 por defender a Amazônia.

Os macacos Zogue Zogue Rabo de Fogo estavam entre as novas espécies descobertas - Foto WWFOs macacos Zogue Zogue Rabo de Fogo estavam entre as novas espécies descobertas - Foto WWF

Também conhecido como Poaieiro-de-Chico-Mendes, o pássaro habitante da floresta amazonense, de cores verde e amarelo, além de asas escuras, gosta de viver em regiões arenosas, pouco drenadas e com áreas de campina e gramíneas, alimentando-se principalmente de insetos e frutas regionais.

Segundo Ricardo Mello, coordenador do WWF Brasil Amazônia, as atividades humanas que ameaçam as novas espécies descobertas na Amazônia se referem principalmente à agricultura e à exploração madeireira, de grande risco para a diversidade da vida na região amazônica.

“Todas as espécies descobertas, todas as 381, estão em áreas onde o ser humano está destruindo a Amazônia. Isso é muito importante para nós, pois associa o fato de que nossas atividades econômicas estão causando a extinção de espécies que nem sequer conhecíamos”, assinala Ricardo Mello.

O golfinho do Rio Araguaia foi a primeira espécie de golfinho de rio a ser descoberta desde o fim da Primeira Guerra Mundial  - Foto WWFO golfinho do Rio Araguaia foi a primeira espécie de golfinho de rio a ser descoberta desde o fim da Primeira Guerra Mundial - Foto WWF

Mais investimentos em pesquisas e preservação

Para os pesquisadores, a importância da descoberta coloca em evidência a necessidade de maiores investimentos em pesquisas e preservação em uma região de suma importância para a vida na Terra, e que vem sendo cada vez mais ameaçada por políticas insustentáveis de desenvolvimento econômico.

Os números e dados sobre a biodiversidade da Amazônia apontam que em nenhum lugar do mundo existem mais espécies de animais e de plantas do que nesta região, a sua flora apresenta 30 mil espécies ou cerca de 10% das plantas do planeta e as árvores passam de cinco mil espécies.

A arraia de água doce encontrada em Rondônia - Foto João Pedro FontenelleA arraia de água doce encontrada em Rondônia - Foto João Pedro Fontenelle

Apesar de dominar a floresta amazônica em termos de número de espécies, número de indivíduos e biomassa animal, e da sua importância para o bom funcionamento dos ecossistemas, os cientistas e pesquisadores estimam que mais de 70% das espécies amazônicas ainda não possuem nomes científicos.

Atualmente são conhecidas 7.500 espécies de borboletas no mundo, sendo 1.800 na Amazônia. Para as formigas, que contribuem com quase um terço da biomassa animal das copas de árvores na Floresta Amazônica, a estimativa é de mais de 3.000 espécies. Com relação às abelhas, há no mundo mais de 30.000 espécies descritas sendo de 2.500 a 3.000 na Amazônia.

As espécies foram encontradas em áreas da Amazônia que estão em risco por atividade humana - Foto RexAs espécies foram encontradas em áreas da Amazônia que estão em risco por atividade humana - Foto Rex

O número de espécies de peixes na América do Sul ainda é desconhecido, sendo sua maior diversidade centralizada na Amazônia. Estima-se que o número de espécies de peixes para toda a bacia seja maior que 1300, quantidade superior à que é encontrada nas demais bacias do mundo.

(*) Com Andy Wells, da Yahoo Notícias.

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