Imprimir

O circo dos horrores que foi a Operação G-7

Escrito por Tião Maia (*) em . Publicado em Artigos

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Aqueles que, a despeito de decisão judicial inocentando por completo os acusados pela chamada Operação G-7, deflagrada pela Polícia Federal em maio de 2013 e que prendeu e indiciou 21 pessoas – entre secretários de Estado, assessores do governo estadual e empresários ligados à área de construção civil, todos apontados como formadores de um cartel destinado à fraude em licitações públicas – que continuam a questionar a sentença da lavra do juiz federal Jair Araújo Fagundes, não estão atacando apenas o Judiciário.

Jornalista Tião Maia, Diretor do jornal Expresso Amazônia - Foto Divulgação

Pessoas ligadas aos grupos de oposição ao governo de Tião Viana e à Frente Popular, que insistem em falar em irregularidades mesmo após o juiz decidir-se pelo contrário, alegando atrelamento ao governo estadual, atacam, principalmente, a honra de um magistrado que, até que se prove ao contrário, é um orgulho para a judicatura nacional e, sobretudo, para os seus concidadãos, que o viram sair da condição de menino pobre, oriundo de uma família humilde, para o exercício de honrada magistratura de primeiro grau, primeiro na justiça estadual e depois, na Justiça Federal. Tudo aprovado em concursos disputadíssimos, nos quais passou com esmero.

Logo, a pretexto de fazer oposição ao governo do Estado, continuar insistindo na existência de irregularidades e no circo de horrores e patifarias em que foi transformada aquela operação, em 2013 - a qual contestei em artigo publicado no semanário cruzeirense “Juruá Em Tempo”, no qual dizia que a justiça e a Polícia Federal também erram – é um crime tão pior do aquele cometido à época dos fatos.

Cidadãos honrados, com vidas inteiras dedicadas ao serviço público ou às atividades empresariais, de uma hora para outra, com base em escutas telefônicas de legalidades duvidosas e graças a uma magistrada cheia de rancor contra o governo estadual, viram suas vidas destroçadas pelo circo armado por agentes federais trepados em pick-ups e exibindo equipamentos pesados como se estivessem à procura de celerados e não de cidadãos honrados com endereço fixo e condutas ilibadas.

Uma dessas vítimas, o empresário Carlos Sassai, a quem não se pode atribuir uma única irregularidade, pagou com a própria vida o vexame de ser arrastado para a cadeia sem culpa formada. Seus amigos confirmam que, mesmo após ser colocados em liberdade e quando as investigações apontavam para aquilo que se confirma agora, Sassai jamais se conformou com a injustiça e passou a viver acabrunhado até ser vítima dos acidentes vasculares que o levaram à morte. Quem pagará por isso? Quem será responsabilizado por tamanha perda para seus familiares e para o empresariado local?

Um outro, secretário do Governo, teve uma doença grave ainda mais agravada ao ver-se preso em sua própria casa com suas imagens expostas em mídia nacional como se fosse um bandido e não um dos mais qualificados profissionais da engenharia e arquitetura do Acre, com enorme contribuição às obras públicas locais. Um outro, cuja candidatura e eleição à Assembleia Legislativa pareciam quase certas, teve sua carreira política abreviada – quiçá não tenha sido encerrada previamente.

Aliás, encerrar carreiras políticas, inclusive a do governador, era a intenção daquela operação. Líderes dos partidos de oposição ao governo de Tião Viana, principalmente do PSDB, na época, chegaram a se reunir, em sede do Tribunal de Justiça, com a desembargadora que decretara as prisões espetaculares executadas por agentes federais com incrível capacidade para o exercício de atividades exibicionistas, pedindo, já na época, a incapacidade política do governador e a suspenção do registro de seu partido.

Não por coincidência, aquele era véspera da eleição estadual que teria Tião Viana e aliados disputando a reeleição para o governo e aqueles para os diversos cargos na esfera estadual e federal. Na época, denunciei, também em artigo, a reunião dos tucanos com a magistrada do feito, afirmando que havia ocorrido, na sede do Tribunal de Justiça, uma convenção fora de época e em local inapropriado.

Não quero aqui jactar-me pelo que escrevi. Apenas registrar – e me solidarizar – com todos os injustiçados e dizer, com tranquilidade, que, já naquela época, não tive dúvidas da honradez do Tião Viana e de sua equipe. Como diz a sabedoria popular, o tempo é o senhor da razão. Justiça, antes tardia do que nunca.

(*) Jornalista e diretor do jornal Expresso Amazônia.

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn