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Juiz anula a farsa que foi a Operação G-7 contra o governo do PT no Acre

Escrito por Romerito Aquino (*) em . Publicado em Artigos

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Na mídia do Acre, o principal assunto desta semana foi a sentença dada pelo juiz federal Jair Facundes, da 3ª Vara Federal, inocentando os 21 empresários, secretários e outros servidores da gestão Tião Viana que foram presos pela Polícia Federal na Operação G-7, acusados de formar um cartel para executar obras no estado com verbas federais.

Jornalista Romerito Aquino, editor do jornal Expresso Amazônia - Foto DivulgaçãoJornalista Romerito Aquino, editor do jornal Expresso Amazônia - Foto Divulgação

Deflagrada em 10 de maio de 2013 contra o governo do PT do Acre, até então já com maior durabilidade no país – 15 dos atuais 18 anos de gestão – a Operação G-7 se constituiu, na verdade, de um significativo avant-première da grande operação judicial- política chamada Lava Jato, que foi impulsionada nacionalmente, em 17 de março de 2014, para tirar o mesmo partido de seu quarto mandato presidencial seguido. O que acabou ocorrendo, em 12 de maio de 2016, com o golpe dado ao mandato legítimo da presidenta Dilma Rousseff.

Desde a deflagração da G-7, os fatos apontam muitas coincidências entre as duas operações contra a manutenção do Partido dos Trabalhadores nos dois poderes, o estadual no Acre e o federal no plano nacional, onde o partido vem e vinha fazendo inclusão social da população carente, o oposto do que prega os últimos perdedores das urnas. Na verdade, a primeira operação serviu de experimentação para a segunda operação a partir do histórico de suas ações, de seus personagens e de seu roteiro, comuns nas várias fases de ambas.

Tudo começou com a designação de um delegado da Polícia Federal chamado Maurício Moscardi, que foi para o Acre coordenar as ações da Operação G-7, e se transformou, no início de 2014, num dos principais coordenadores da Operação Lava Jato no Paraná, para onde foi transferido depois de sair do Acre. Moscardi, inclusive, foi um dos que tomaram o depoimento do ex-presidente Lula na condução coercitiva de que ele foi vítima no início do ano passado no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Assim como ocorreu em todas as fases da Lava Jato, as ações da Operação G-7 foram todas vasadas antecipadamente para o TV Globo, a maior TV do país, que mais uma vez se prestou a fazer a “assessoria de imprensa” para servir a mais um golpe de Estado no Brasil, como fez no golpe da sangrenta ditadura militar de 1964. Apoio, aliás, que gerou há alguns anos um pedido de perdão da emissora aos brasileiros.

Para executar as prisões dos empresários e secretários do Acre no dia 10 de maio de 2013, o delegado Maurício Moscardi e muitos dos 150 agentes federais usados na operação desembarcaram em Rio Branco no mesmo dia em que chegou na capital acreana uma equipe do Jornal Nacional, da TV Globo, comandada pelo repórter Vladimir Neto, que garantiu a grande manchete do principal jornal da emissora no início da noite daquele dia.

No ar, falaram bem alto para o Brasil e o mundo inteiro as imagens dos secretários e assessores do PT sendo presos por serem acusados de apoiar o “cartel” de empresários acreanos, também aprisionados, com informações detalhadas e inéditas de todas as ações e investigações feitas pela Polícia Federal no estado.

E o assunto prosseguiu em outras manchetes do Jornal Nacional nos dias seguintes, sempre dirigindo o noticiário com informações distorcidas, mas capazes de ferir de forma grave a imagem do PT em todo o território nacional. Ou seja, os primeiros tiros contra o PT nacional e sua presidenta da República estavam sendo dados de forma certeira, mesmo às custas de informações mentirosas e manipuladas pela Polícia Federal e a Justiça do Estado e que, agora, viraram pó na análise judicial de Jair Facundes.

Sobre isso, o juiz que inocentou todos os 21 presos e acusados no Acre, foi cirúrgico ao justificar a sua ordem de arquivamento do verdadeiro “circo” do primeiro grande golpe tentado contra o PT no país. “Talvez a conversa tenha sido expressão de uma leviandade, fruto de boquirrotos e falastrões, de enorme descaso para com a honra alheia; talvez as licitações estivessem sim sendo fraudadas, mas, a despeito disso, a força policial não logrou descobrir nada mais substancial. Fato é que nada de concreto foi obtido, apesar da enorme varredura nos inúmeros procedimentos de licitação envolvendo as empresas ligadas aos acusados que demonstrasse a veracidade do cartel descrito no diálogo em exame”, escreveu o juiz na sentença.

A forte lição dada pelo juiz federal, chamando de boquirrotos e falastrões os que ergueram a montanha de perversas e criminosas mentiras, falácias, calúnias, injúrias e difamações contra pessoas inocentes, certamente foi pouca para classificar o conjunto de erros, equívocos, desvarios e maldades que marcaram a operação acreana que serviu de avant-premiere para a Lava Jato. Uma operação que, por estar ferindo direitos constitucionais de defesa e promovendo ações judiciais parciais, seletivas e partidárias (em favor do PSDB e do PMDB, partidos líderes do golpe parlamentar e, paradoxalmente, mais envolvidos nas propinas da Lava Jato), já foi inclusive denunciada na Organização das Nações Unidas (ONU) e criticada no mundo inteiro.

No Acre, os absurdos do processo criminal da Operação G-7 chegaram ao ponto de ignorar a existência do próprio Ministério Público e de ser relatada por uma desembargadora do Tribunal de Justiça, quando deveria ser de competência exclusiva de um juiz federal, uma vez que os recursos usados nas obras do Acre eram federais. Esse último absurdo foi anulado em decisão posterior tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na Justiça acreana, o ponto alto da grande mentira em que se transformou a operação G-7 ocorreu quando, impedido de discutir e votar a operação na corte do tribunal por duas desembargadoras que estariam descontentes com o governo petista (Cezarinete Angelim e Denise Bonfim), o desembargador Adair Longuini protestou de forma veemente, jogou sua toga no chão e disse que jamais participaria de um “tribunal de exceção”.

(*) Jornalista e diretor do Expresso Amazônia.

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