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A pauta da semana é Aécio Neves e sua irmã

Escrito por Romerito Aquino em . Publicado em Artigos

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Foto da capa de Veja em que o derrotado Aécio Neves é acusado de receber R$ 70 milhões em propinas da Odebrecht - Foto DivulgaçãoFoto da capa de Veja em que o derrotado Aécio Neves é acusado de receber R$ 70 milhões em propinas da Odebrecht - Foto Divulgação  A revista Veja, que tem se revelado a mídia mais golpista do país – com exceção, claro, da Globo ditadura militar - deu em sua edição desta semana uma pauta modelo para o país avançar no combate à sua corrupção sistémica, em seus quadrantes de Norte a Sul e de Leste a Oeste.

Talvez impulsionada por desejo manifesto em bastidores pelo traíra Michel Temer - de tirar o seu maior aliado da ocasião da reta das eleições de 2018 - a revista deu a capa inteira com a foto do senador Aécio Neves (PSDB-MG) sendo acusado mais uma vez de prática de corrupção.

Acompanhado da foto, a revista trouxe extensa e embasada matéria dizendo que Benedito Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, assegura, em delação homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o candidato derrotado por Dilma Rousseff recebeu numa conta da irmã Andrea Neves, em Nova York (EUA), parte dos R$ 70 milhões que a sua empreiteira lhe repassou em propinas.

Essa seria, na verdade, a principal pauta da semana da mídia caso ela quisesse, de fato, colaborar com a “procissão” que o país precisa concluir para sair do caos econômico e social, provocado principalmente pelo envolvimento sistémico de suas classes política e empresarial com a corrupção. Afinal, trata-se de grande e grave acusação contra o último candidato derrotado à Presidência da República, que mesmo não saindo vencedor, recebeu dezenas de milhões de votos dos brasileiros nas eleições de 2014.

Como tem feito sistematicamente, quando se trata de políticos não-petistas envolvidos em corrupção, a mídia golpista não deu a mínima para colocar na sua pauta da semana a devida repercussão sobre a gravíssima denúncia embutida na manchete da Veja. Uma manchete que deveria ter sido, no mínimo, repercutida pela mídia junto ao juiz Sérgio Moro, ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal, instituições encarregadas de tratar dos assuntos da imprescindível Operação Lava Jato.

Mídia golpista e sem coerência

Mas nada disso ocorreu, mesmo levando-se em conta a história da Lava Jato, que aponta que, por menos do que pesa agora contra o senador tucano, pessoas foram presas por Sérgio Moro e pelo STF com embasamento apenas em delações e suspeitas sustentadas na operação. E vazadas seletivamente para a mídia.

Foi o caso do casal João Santana e Mônica Moura, marqueteiros do PT (sempre contra o PT), que foi preso em fevereiro de 2016 por serem, na ocasião, apenas “suspeitos” de receberem propinas de R$ 16 milhões da Odebrecht, que teriam sido originadas de dinheiro desviado da Petrobras.

O mesmo se deu com o ex-senador Delcídio do Amaral, do PT de Mato Grosso do Sul (novamente do PT), que foi cassado e se transformou no primeiro senador da República a ser preso no exercício do mandato pela “acusação” de tentar atrapalhar as investigações da Operação Lava Jato.

Só esses dois exemplos, além de outros ocorridos na Lava Jato, já seriam suficientes para a mídia investir no aprofundamento na grave denúncia de Veja contra Aécio Neves e sua irmã Andrea. Ou será que os R$ 70 milhões em propinas que pesam contra Aécio e a irmã seriam menos significantes para os editores da mídia golpista do que as propinas do casal Santana ou a acusação contra o senador petista, que, ao final, nada representou de ameaças à continuidade da Lava Jato.

Em vez de cumprir com o seu papel ético e moral para com a opinião pública, que exige mais informações e o aprofundamento das investigações jornalísticas iniciadas por Veja, uma pequena fatia da mídia golpista se dispôs apenas a noticiar a denúncia da revista. Não dando, com isso, a menor chance de Aécio e sua irmã virarem réus ou até serem presos imediatamente, como ocorreria se este país tivesse coerência e fosse pelo menos um pouquinho sério.

Com um Congresso trabalhando reformas contra o povo, um Executivo formado em grande parte de ladrões da Lava Jata e um judiciário e uma mídia que têm se mostrado extremamente parciais, seletivos e partidários, o Brasil certamente deverá amargar por mais algum tempo a atual e grave crise econômica e social. Uma crise, aliás, que tem como base central a falta da ética e da moral no trato das coisas públicas, que pereniza os nossos “podres poderes”, de que fala uma conhecida música de Caetano Veloso.

(*) Jornalista do EXPRESSO AMAZÔNIA.

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