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A perseguição aos irmãos Viana

Escrito por Romerito Aquino (*) em . Publicado em Artigos

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Depois da grande delação dos executivos da Odebrecht, que explodiu a política brasileira, fiquei meditando nesses três últimos dias e não consegui amenizar minha surpresa com relação a essa nova tentativa de jogar o nome do governador Tião Viana na lama em que se transformou a política nacional, que resultou no ano passado no golpe contra a democracia e contra o mandato legítimo e popular da ex-presidenta Dilma Rousseff.

Irmãos Tião Viana e Jorge Viana lideram politicamente o Acre há mais de 18 anos - Foto Divulgação

Conclui que, como um dos líderes do maior sucesso administrativo e político conseguido nos estados brasileiros pelo Partido dos Trabalhadores, que há mais de 18 anos comanda o Acre de Chico Mendes, é de todo oportuno Tião Viana estar sendo usado novamente como boi de piranha pela mídia golpista para mostrar, pela enésima vez, que tudo de ruim que acontece no país é de responsabilidade direta do PT. Aliás, justificativa plausível que serviu para tirar o partido do poder.

Vale acrescentar que, desta vez, o uso do nome governador acreano na Lava Jato veio com peso negativo dobrado, pois agora incluiu o seu irmão, o senador e ex-governador Jorge Viana, outro líder petista acreano que, como Tião Viana, também é amigo e muito próximo do ex-presidente Lula, a quem o golpe quer mais atingir para não poder mais governar o país e tirar mais 30 milhões de brasileiros da pobreza e da miséria.

O fato é que Tião Viana e, agora, Jorge Viana, caíram essa semana na rede da Lava Jato pela acusação de terem recebido R$ 2 milhões em propinas da Odebrecht na campanha de 2010. E até que eles consigam provar na Justiça que são inocentes, que tudo não passa de mentiras de empresários corruptos e corruptores que querem sair ou fugir da prisão a qualquer custo, estarão pré-condenados pela opinião pública pelo tempo que durarem os seus inquéritos.

Mas o fato é que não é de hoje que Tião Viana virou um dos maiores bois de piranhas do lado escuro da Lava Jato que, até a semana passada, usava vazamentos seletivos e partidários para justificar o golpe e para consolidar a saída do PT do Palácio do Planalto.

A perseguição dos golpistas contra Tião Viana começou antes mesmo da própria Lava Jato, mais precisamente em maio de 2013. Nesta época, acompanhado da Rede Globo, mandaram para o Acre o espalhafatoso delegado da Polícia Federal chamado Maurício Moscardi (o mesmo que comandou há pouco a espetaculosa operação Carne Fraca) para tentar dar o golpe no comando do PT local através do que se apelidou de Operação G-7.

Com apoio da Justiça local e sem conhecimento do Ministério Público, Moscardi pintou e bordou no estado, prendendo empresários, secretários e familiares de Tião Viana à vontade para garantir manchetes do Jornal Nacional, da Globo, que àquela época já havia decidido ajudar a dar mais um golpe na democracia brasileira, como fizera na ditadura militar.

Mas eis que a ação espetaculosa de Moscardi entrou como palhaçada para a história há pouco tempo, quando o Jair Facundes, da 3ª Vara Federal do Acre, decidiu inocentar todos os presos do delegado espetaculoso e anti-petista (vive nas redes sociais pregando contra o PT) por absoluta falta de provas contra todos os envolvidos.

Mais perseguições aos irmãos

E a perseguição a Tião Viana prosseguiu já dentro das primeiras ações da Lava Jato (criada em 17 de março de 2014), quando ele foi acusado, em dezembro de 2014, em delação premiada do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, contra 28 políticos, de ter recebido R$ 300 mil para sua campanha de 2010 do esquema de propinas da Petrobras. A infâmia contra Tião Viana, desta vez, caiu por terra mais cedo, pois em cinco de outubro de 2016, atendendo recomendação da Procuradoria Geral da República, os 15 ministros da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiram, por unanimidade, inocentar e arquivar o inquérito contra o governador acreano.

Há também outro exemplo claro de perseguição política ocorrido recentemente contra os Viana. De forma irresponsável e sem se dar sequer ao trabalho de checar as informações - um dos princípios da ética e do bom jornalismo -, o jornal O Globo estampou esta semana em manchete que o governador Tião Viana e seu irmão Jorge Viana estariam envolvidos indiretamente em um desvio de R$ 300 milhões, praticado por um secretário do Rio de Janeiro, porque seriam parentes, tios da mulher do acusado.

A barbeiragem jornalística (pasmem) se deu porque a mulher do acusado leva o sobrenome “Vianna”, quando o Viana de Tião e Jorge leva apenas um “n”. O autor da matéria e o jornal foram obrigados depois a corrigir a infâmia e a se retratarem do papel ridículo do péssimo jornalismo.

Esses três exemplos já seriam suficientes para Tião Viana e seu irmão empunharem a certeza de que devem ser absolvidos desta nova acusação de ilegalidade, relacionada a uma empreiteira que nunca teve qualquer negócio ou obra no Acre. Um estado que já lida há anos com investimentos bilionários e não há, em qualquer cartório ou juízo do estado ou do país, nada que desabone a dignidade e a honestidade dos dois irmãos acreanos.

(*) Jornalista.

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