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O velho Sócrates estava certo. Força, Marcus Alexandre!

Escrito por Tião Maia em . Publicado em Artigos

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Prefeito Marcus Alexandre ajudando moradores da cheia do rio Acre, no bairro Taquari - Foto Marcos Vicentti, Ascom-PMRBPrefeito Marcus Alexandre ajudando moradores da cheia do rio Acre, no bairro Taquari - Foto Marcos Vicentti, Ascom-PMRB

De todas as frases nas notas de solidariedade ou nas manifestações em prol do prefeito Marcus Alexandre e outros acusados em relação à “Operação Buracos”, deflagrada nesta segunda-feira, 30, pela Polícia Federal e outros órgãos de controle para apurar suposta irregularidades e desvios de recursos relativos às obras em estradas e ramais vicinais no Acre e em Rondônia – com a assombrosa quantia de R$ 700 milhões -, a que mais me chamou a atenção foi uma que leva a assinatura do senador Jorge Viana.

Com a linguagem que a liturgia do cargo de senador exige – quanto mais quando se tratando também de um ex-governador de Estado -, Jorge Viana foi extremamente educado mesmo quando demonstra total indignação. E, ao final da nota, diz que, no caso de Marcus Alexandre, é preferível sofrer uma injustiça a praticá-la.

É uma clara evocação ao pensamento de Sócrates, o célebre filósofo da Grécia antiga, imortalizado pela obra de Platão, seu mais fiel discípulo. Num dos trechos dos diálogos platônicos, Sócrates, compelido a ingerir cicuta para, enfim, morrer e pagar por crimes a ele atribuídos, resigna-se à pena e submete-se a seus acusadores sem temor, sem humilhar-se e, cônscio de sua inocência, diz que, para um democrata, é melhor sofrer a injustiça do que praticá-la.

Condenado injustamente, segundo Platão, em seus últimos momentos, Sócrates mantém-se tranquilo e ainda se permite consolar os amigos, que choravam por ele na hora derradeira com aquela frase imortalizada.

Filosofia à parte, é preciso dizer que Marcus Alexandre, sua esposa e outros ex-diretores do Deracre não estão sofrendo apenas injustiça. Estão, na verdade, sendo perseguidos, caçados. A injustiça aos outros é ainda maior porque, no fundo, é Marcus Alexandre que a malta caçadora quer. Não é à toa nem coincidência que a operação tenha sido deflagrada menos de 24 horas depois de o atual prefeito ser indicado pelo PT e seus partidos aliados, na chamada coligação Frente Popular do Acre, como seu pré-candidato ao governo na disputa para o ano que vem.

A operação já estava adredemente montada à espera desse momento. Tanto é que os serviçais da malta, principalmente os travestidos de jornalistas, já estavam devidamente avisados e a postos para que registrassem o instante. As imagens naturalmente serão arquivadas para serem utilizadas na futura campanha eleitoral na qual, com certeza, Marcus Alexandre será o candidato principal, devido ao capital político que ele acumulou nas duas disputas vencedoras, das quais participou como candidato a prefeito. O mais ágil dos serviçais até trouxe a público um ex-servidor da Prefeitura que se jacta de ser, ao mesmo tempo empresário, e autor da tal denúncia ao Ministério Público Federal.

Então vamos por parte. Se a tal denúncia partiu do ex-servidorzinho da Prefeitura, por que autoridades do Dnit em Rondônia, Mato Grosso e São Paulo também estão sendo investigados e compelidos a depor? Porque, para utilizar o linguajar popular, o buraco é mais em baixo. As ações fora do Acre fazem parte da estratégia que os levará depois a dizerem que o foco não é apenas Marcus Alexandre.

Como no caso da Operação G-7, deflagrada em maio de 2013 – durante as exéquias do ex-governador Orleir Cameli -, os interesses são políticos e locais. Na época, o governador Tião Viana havia acabado de se declarar candidato à reeleição. Prender assessores e secretários seus – além de empresários que prestavam serviços ao seu governo, na ótica da malta, abreviava a campanha eleitoral e tornaria fácil a vitória de seus adversários. Com o apoio de uma juíza sem ética, agentes da Polícia Federal, exibindo seus bíceps tatuados com cores fortes e desenhos caros, empunhando armas de grosso calibre e pendurados em carros de combate, como se estivessem à caça de bandidos de altíssima periculosidade, promoveram, nas ruas de Rio Branco, um autêntico espetáculo de ilegalidades e bizarrices.

Em busca de promoção pessoal, agentes e um delegado de triste memória para o Acre prenderam e acusaram injustamente mais de 20 pessoas, das quais o empresário Carlos Sassai morreu por AVC logo após o anúncio de sua prisão sem saber que ele e os demais seriam todos inocentados pela Justiça Federal apesar de todos os recursos do MPF e de outros acusadores.

O velho filme, com as mesmas cenas fortes, se repete agora e com os mesmos atores da G-7 no papel principal dos que querem ganhar uma eleição de forma abreviada, com uma campanha fácil sobre um candidato cujo trabalho é reconhecido em todo o Acre e que não será fácil batê-lo. A não ser que se faça exatamente o que estão fazendo, tentando desmoralizá-lo – a ele e a seus aliados – em praça pública.

As demonstrações de solidariedade a Marcus Alexandre, no entanto, mostram que o povo não é bobo e não se deixa enganar. Gladson Cameli, Márcio Bittar, Sérgio Petecão, Flaviano Melo, Jéssica Sales, Major Rocha e Eliane Sinhasique, que compõem a malta local e utilizam em Brasília seus aliados no Palácio do Planalto e no Ministério da Justiça, para porem a Polícia Federal no encalço de um candidato que eles sabem ser duro na queda, vão ter que esperar e lutar numa campanha eleitoral ácida se quiserem voltar ao poder neste Estado. No tapetão, não! Vão ter que pedir votos e encarar a população com pedidos de desculpas pela injustiça que agora cometem contra pessoas honradas e contra um homem que a população acreana, principalmente a da capital, passou a respeitar como o mais completo prefeito da história da cidade.

O tempo dirá quem está certo, exatamente como no caso da Operação G7, cujos acusados foram inocentados e nem assim os acusadores – os mesmos de agora – vieram a público pedir desculpas pelas injustiças que praticaram. Força, Marcus Alexandre. Sócrates estava certo.

(*) Jornalista e também editor do Expresso Amazônia.

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