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Rei das panelas no Acre

Escrito por Juracy Xangai em .

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Na oficina Panela & Companhia, Adriano Santos comanda a arte de transformar panelas em vários outros utensílios

A todo momento, clientes buscam panelas consertadas - Foto Juracy XangaiA todo momento, clientes buscam panelas consertadas - Foto Juracy Xangai

Panelas de pressão, caldeirões, leiteiras e copos de liquidificador se espalham pelas prateleiras da oficina Panela & Companhia, localizada no corredor do Camelódromo, bem ao lado do Terminal Urbano de Rio Branco (AC), onde não falta serviço. A oficina é tocada há mais de oito anos por Adriano Ferreira dos Santos, que tocava, antes disso, um lanche e se cansou do antigo ofício.

“Durante mais de cinco anos eu trabalhei o dia inteiro preparando os ingredientes para os lanches e cachorro quente, que vendia à noite. Aquilo foi me estressando de um jeito que estava para explodir a qualquer momento, então comecei a buscar outra coisa para fazer. Um dia, passando na calçada, vi um rapaz consertando panela. Então disse para mim mesmo que era capaz de fazer aquilo. Como já tinha este ponto, comecei o negócio e foi a melhor coisa que já fiz na vida”, confessa Adriano Santos.

Serrar, aparar, parafusar e consertar utensílios domésticos acabaram funcionando como uma terapia ocupacional que transformou a antiga vida estressada de Adriano. “Fazer lanches era uma rotina que me cansava, aqui não, cada peça que eu pego tem uma história, ainda que sejam duas panelas ou canecas os problemas e o jeito de trabalhar são diferentes. Então, a cabeça da gente viaja nas soluções, eu me ocupo, penso diferente e isso me dá um alívio. Hoje, minha cabeça é outra. Entro às oito da manhã, saio às cinco da tarde e vivo com mais dignidade”, acrescenta.

Consertar panelas é uma arte antiga muito útil nos tempos modernos - Foto Juracy XangaiConsertar panelas é uma arte antiga muito útil nos tempos modernos - Foto Juracy Xangai

Durante todo o dia, mulheres e homens vão chegando com suas panelas e canecas amassadas, furadas, sem cabo ou precisando de uma nova válvula de segurança, um segurador de tampa, copos de liquidificador desgastados para a troca de retentores e outras peças.

“Eles vêm trabalhar ou fazer compras no centro, deixam a panela aqui e vão cuidar da vida e voltam para buscar, mas tem gente que deixa e esquece, seis meses depois reaparece, às vezes nem conhece mais sua panela, por isso a gente identifica cada uma delas pelo nome”, explica o comerciante.

Alumínio grosso faz comida mais gostosa

Também é comum pessoas chegando com panelas querendo transformá-las em frigideiras, panelas de cozinhar arroz, enfim, dando-lhe nova finalidade. “O mais comum é pedirem para cortar panela de pressão para transformar em panela de fazer arroz, pois o alumínio grosso faz uma comida mais gostosa”, completa Adriano.

Na Panela & Companhia se concerta todo tipo de utensílio doméstico - Foto Juracy XangaiNa Panela & Companhia se concerta todo tipo de utensílio doméstico - Foto Juracy Xangai

Esses pedidos acontecem mais quando essas pessoas conseguem uma panela antiga. “O alumínio das panelas de antigamente era infinitamente melhor que os das panelas de hoje em dia, quando as pessoas buscam panelas mais baratas, mas sem qualidade. Isso é um problema geral, tanto nas panelas como canecas, leiteiras e outros utensílios domésticos, que não têm mais a resistência e qualidade dos utensílios de antigamente”.

Panelas de pressão, leiteiras e canecas são os utensílios que mais buscam conserto na Panela & Companhia. “Nas panelas, o problema mais comum é o cabo que trinca, quebra ou solta, aí o pessoal vai dando um jeito de amarrar e essas gambiarras acabam danificando outras peças. Por isso, eu sempre aconselho, deu um problema, conserte logo. Tem gente que deixa a panela se danificar toda para então buscar conserto, aí precisa trocar muitas peças e assim o conserto fica mais caro”, assinala.

Vez por outra também aparecem para conserto traquitranas inventadas de improviso, ou compradas a outros inventores de plantão. “Ás vezes aparece alguma coisa que nunca vi, aí complica, em uns a gente aceita para aprender, outros recuso porque não sei para onde vai. A verdade é que por estas e outras, prefiro trabalhar sempre sozinho porque sou meio perfeccionista, na mão-de-obra e no uso das peças de reposição. Por isso prefiro fazer eu mesmo, daí eu garanto”, conclui Adriano Santos.

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