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Brasil não usa a Amazônia como seu maior diferencial

Escrito por Romerito Aquino em .

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Senador Jorge Viana (PT-AC) lamenta que o país não invista de forma sustentável nas grandes indústrias de cosméticos, de fármacos e de turismo

Muitas matérias-primas amazônicas para a produção de fármacos - Foto Revista Pré-UnivespMuitas matérias-primas amazônicas para a produção de fármacos - Foto Revista Pré-Univesp

A Amazônia é o grande diferencial que o Brasil tem para mostrar ao mundo. A frase foi dita pelo engenheiro florestal e senador Jorge Viana (PT-AC) em palestra que proferiu para a cúpula do Ministério da Educação no início da década de 1990.

Nesta época, Jorge Viana começava sua missão de governar o Acre por oito anos – entre 1999 e 2006 – após o qual deixou o cargo com um dos mais elevados índices de aprovação entre os governadores que finalizavam seus mandatos no país.

Jorge Viana foi sucedido por mais três governos do PT, que já governa há quase 20 anos a terra natal do sindicalista e ecologista Chico Mendes, que hoje é vista interna e externamente como o melhor modelo de gestão econômica, social e ambiental entre os estados da grande Amazônia, considerada a maior, a mais rica e a mais bonita floresta tropical do planeta.

Senador Jorge Viana lamenta exclusão da Amazônia como saídas para a crise brasileira - Foto Jefferson Rudy, Agência SenadoSenador Jorge Viana lamenta exclusão da Amazônia como saídas para a crise brasileira - Foto Jefferson Rudy, Agência Senado

Hoje, o Acre tem fábrica de preservativos do látex da seringueira abastecendo 10% do mercado consumidor brasileiro, oferece castanha-do-Brasil para ser vendida na Europa e nos Estados Unidos e dispõe de madeira de manejo sustentável abastecendo alguns estados do Centro-Sul do país.

Além disso, dispõe de uma crescente agroindústria de peixes, aves e suínos sendo vendidos para os países vizinhos e mantém uma pecuária de mais de três milhões de cabeças de gado, que oferece e exporta o delicioso boi verde, uma das melhore carnes do país. Isso tudo sem precisar desmatar mais os 87% de área de floresta nativa que ainda mantém intacta em seu território de 16,5 milhões de hectares.

Essências amazônicas para a produção de cosméticos - Foto Clayton de Souza, EstadãoEssências amazônicas para a produção de cosméticos - Foto Clayton de Souza, Estadão

E foi com base em todo esse sucesso e em todo esse know-how da economia sustentável acreana que o senador Jorge Viana voltou na semana passada, da tribuna do Senado, a toca na mesma tecla das infinitas potencialidades econômicas disponíveis em toda a Amazônia para ajudar o país a sair da atual crise, voltando a crescer e a gerar mais renda e mais empregos para sua população, hoje com mais de 13 milhões de desempregados.

Lamentável ver a Amazônia como problema

Em seu discurso, Jorge Viana lamentou que o Brasil ainda veja a Amazônia como um problema, em vez de mais uma grande solução para retomar o crescimento da sua economia. Ele lembrou que na Amazônia estão 20% da biodiversidade do planeta, com matérias-primas necessárias para uso em duas das três indústrias que mais crescem no planeta: as dos cosméticos e dos fármacos.

A Castanha-do-Brasil é uma das grandes riquezas da Amazônia - Foto Ângela Peres, Secom-ACA Castanha-do-Brasil é uma das grandes riquezas da Amazônia - Foto Ângela Peres, Secom-AC

Jorge Viana destacou que o turismo é outro setor de destaque, mas, na sua opinião, o país nada faz para explorar o potencial dessa atividade. “Tudo isso mostra as possibilidades que esse país tem de crescimento de comércio, de crescimento da indústria, de estar inserido nesse mundo contemporâneo e tão desafiador, em que vão desaparecer muitas atividades econômicas, muitas profissões, e serão empoderadas outras”, acrescentou.

Jorge Viana também falou das grandes potencialidades do bambu, que já é considerado quase uma commodity mundial. Disse que, com a entrada do Brasil na Rede Internacional do Bambu e Ratã, com sede na China, vai agora àquele país conhecer as potencialidades do bambu, pois o Brasil e, em particular a Amazônia, tem uma das maiores florestas tropicais de bambu no planeta. No Acre, por exemplo, estima-se que o bambu responde por um quarto de toda a floresta do estado.

Madeira de manejo sustentável é outra das grandes riquezas amazônicas - Foto Joaquim Leite, ÉpocaMadeira de manejo sustentável é outra das grandes riquezas amazônicas - Foto Joaquim Leite, Época

Citando o turismo, os cosméticos e os fármacos como algumas das indústrias que mais crescem no mundo, Jorge Viana lembrou que “essas são, tirando as áreas de tecnologia, as atividades que crescem assustadoramente, independentemente de crise ou de país”. Segundo ele, o Brasil está inserido nas três áreas, que são ainda pouco exploradas.

Para o senador, o Brasil tem de usar a Amazônia como um ativo econômico. “Ninguém tem um ativo econômico, uma vantagem comparativa como nós temos. Isso mostra as possibilidades que este País tem de crescimento do comércio, de crescimento da indústria, de estar inserido nesse mundo contemporâneo tão desafiador”, completou Jorge Viana.

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