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Pecuária do Pantanal é a única a receber certificação de sustentabilidade

Escrito por Faesc (*) em .

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Certificação de sustentabilidade foi dada a 15 pecuaristas da região pelo Instituto Biodinâmico

No Pantanal, a pecuária avança no uso de novas tecnologias - Foto Nicolli DichoffNo Pantanal, a pecuária avança no uso de novas tecnologias - Foto Nicolli Dichoff

Uma iniciativa que reúne produtores com práticas de rastreamento da cadeia, de não uso de produtos químicos no solo, de utilização de pastagens nativas, de proteção dos recursos hídricos e recuperação de áreas degradadas, entre outros quesitos, reconheceu a pecuária da região do Pantanal como sustentável.

“O nosso é um gado que come 12 tipos de gramíneas que tem no Pantanal e come a mesma comida que os animais selvagens herbívoros daqui", diz o presidente da Associação Brasileira de Produtores Orgânicos (ABPO), Leonardo Leite de Barros, salientando que, além de sustentável, a carne tem sabor e suculência.

Parte do gado do Pantanal é criada de forma considerada sustentável - Foto DivulgaçãoParte do gado do Pantanal é criada de forma considerada sustentável - Foto Divulgação

A ação foi divulgada em São Paulo (SP), costurada pela organização não-governamental WWF junto à ABPO. A associação tem atualmente 15 produtores e um rebanho de 80 mil animais com certificação orgânica e sustentável. O abate semanal gira em torno de 200 animais. A iniciativa tem certificação do Instituto Biodinâmico (IBD) e a Korin, como principal distribuidora no mercado nacional.

Este é, segundo a WWF, o primeiro protocolo do gênero no Brasil. O coordenador do programa Cerrado Pantanal da ONG, Júlio Cesar Sampaio, afirma que o gado existe há 250 anos no Pantanal, considerado o bioma mais preservado do Brasil. Um estudo recente da WWF, que atua na região há 15 anos, também mostrou que 82% da planície pantaneira está preservada e se atribui boa parte deste desempenho à pecuária regional.

Boiadeiros conduzindo uma comitiva de gado no pantanal mato-grossense - Foto DivulgaçãoBoiadeiros conduzindo uma comitiva de gado no pantanal mato-grossense - Foto Divulgação

No planalto do Pantanal, contudo, a pressão da soja ameaça e traça outro cenário. “Para trabalharmos com a conservação do Pantanal, queríamos ver as cadeias que estavam por lá. Vimos que não há desmatamento em grande parte das fazendas e existe manejo adequado das pastagens naturais", segue Sampaio.

MERCADO DA CARNE ORGÂNICA E SUSTENTÁVEL

O primeiro passo na venda da carne sustentável do Pantanal foi dado em 2015, quando a Korin começou a testar o mercado vendendo cinco toneladas mensais, conta o diretor-geral Reginaldo Morikawa. A previsão do empresário é de aumentar consideravelmente a venda de carne orgânica e sustentável nos próximos dois anos.

Pecuária do Pantanal tem a única certificação sustentável do país - Foto DivulgaçãoPecuária do Pantanal tem a única certificação sustentável do país - Foto Divulgação

Os produtores que aderirem ao protocolo, depositado na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, e fiscalizado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), poderão utilizar uma ferramenta desenvolvida pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-DF).

O software tem indicadores que avaliam o grau de sustentabilidade da produção. “Agora estamos afinando a ferramenta. Vai haver ganho diferencial para quem produzir desta forma”, diz o chefe da Embrapa Pantanal, em Corumbá (MS), Jorge Antônio Ferreira de Lara. “Precisamos de um modelo de vanguarda”, assinala Jorge Lara.

Na produção sustentável, todos os animais têm identificação individual. O sistema registra ano de nascimento, raça, fazenda, tipo de nutrição e outros parâmetros. “É um protocolo exigente”, diz o auditor de campo do IBD, empresa conhecida pela certificação de produtos agrícolas, principalmente orgânicos, Matheus Witzler.

(*) Assessoria da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc).

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