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No calorão acreano, só mesmo uma raspadilha de grosélia bem gelada...

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TÃO POPULAR EM TEMPERATURAS ALTAS, A RASPADILHA ERA O SORVETE ADORADO PELO IMPEDERADOR DOM PEDRO I 

Famílias param para tomar os vários sabores da raspadilha - Foto Juracy XangaiFamílias param para tomar os vários sabores da raspadilha - Foto Juracy Xangai

De grosélia, abacate ou de menta e outros variados sabores industrializados ou com frutas de época, como o cupuaçu, o açaí e o cajá, a raspadilha é composta simplesmente de um copo cheio de gelo raspado e adoçado com suco ou extrato de sabores variados, sobre os quais se acrescem, de uns tempos para cá, o leite condensado, creme de leite ou leite mesmo, conforme o gosto do cliente. Taí a delícia fácil, rápida e refrescante.

Mesmo sem o apelo do marketing na internet, avistar um carrinho com vendedor de raspadilha é detonar um comichão por uma bebida tão simples, mas quase irresistível. “Carlos”, ou verdadeiramente Carliandro Santos da Silva, 36 anos, pai de dois filhos, que diariamente se posta em venda à entrada do Terminal Urbano de Rio Branco, há dez anos garante a sobrevivência da família vendendo raspadilhas.

“Durante oito anos trabalhei vendendo lanches. Era bom, mas obrigava a gente a passar o dia inteiro preparando ingredientes para a hora das vendas. Foi assim até que observei as boas vendas da raspadilha. Aí, fui trabalhar uns dias com um tio meu para aprender as manhas de como preparar e vender raspadilha. Logo montei meu carrinho e nunca mais deixei este serviço que é muito bom porque todo mundo gosta”, diz Carlos.

O calorão de Rio Branco é o grande aliado do negócio da raspadilha - Foto Juracy XangaiO calorão de Rio Branco é o grande aliado do negócio da raspadilha - Foto Juracy Xangai

Hoje, utilizando um carrinho padrão com isolamento térmico para conservar o gelo, além de armário para os sucos e equipamentos e compartimento para a máquina de rapar o gelo, ele também vende com muito sucesso as saladas de fruta para quem quer um lanche rápido e saudável.

Para Carlos, o carrinho distoa muito em relação ao seu tempo de menino, quando perambulava pelas ruas da cidade de Cruzeiro do Sul com uma bacia na cabeça vendendo quibe e outros salgadinhos feitos pela sua mãe.

“Nasci no seringal São João do Breu, trabalhava na roça desde criança ajudando meus pais. Lá não tinha escola. Então, não tinha o que fazer, era trabalhar mesmo e trabalhava com gosto. Quando mudamos para a cidade de Cruzeiro do Sul ia vender salgadinhos na rua e gostava de fazer isso para ajudar a mãe e ter dinheiro para as minhas coisinhas”, conta Carlos.

Raspadilha de cor azul caiu no gosto dos adolescentes - Foto Juracy XangaiRaspadilha de cor azul caiu no gosto dos adolescentes - Foto Juracy Xangai

"QUERO VOLTAR A ESTUDAR PARA SER ECONOMISTA"

Carlos ressalta que, também, não ligava muito para a escola. “A bem da verdade, só voltei a estudar em 1997 nas classes de aceleração do EJA. Foi bom, mas não terminei. Vou voltar a estudar e quero ser economista”.

Aos 17 anos veio para Rio Branco em busca de melhores condições de vida. Daí foi trabalhar com lanches e, por fim, com a raspadinha. “Vender raspadilha é uma coisa interessante. Todos gostam, jovens, adultos, velhos e crianças, e todo mundo vê o copo com um olhar de alegria, acho que é saudade da infância e também pelo sabor e refrescância. Acho que tem um certo sentimento de romantismo nisso. Todos gostam, mas é interessante os turistas que nunca viram. Eles se admiram e dizem que é muito bom e eu fico contente”.

Carlos vendeu bribotes, lanches e agora faz muito sucesso com a raspadilha - Foto Juracy XangaiCarlos vendeu bribotes, lanches e agora faz muito sucesso com a raspadilha - Foto Juracy Xangai

Carlos conta, ainda, que os sabores de groselha, uva e morando são os mais pedidos. Mas o calorão anormal que está fazendo na capital acreana, a refrescância da hortelã ganhou espaço e o abacate, como de época, emparelham na dianteira. Já frutos de sabor notáveis, como o cupuaçu, são cada vez menos pedidos. “O pessoal reclama que, com a acidez do cupuaçu, o estômago reclama muito”, esclarece.

Mas há muitos clientes que dão preferência a misturas muito pessoais como groselha misturada com leite ou chocolate e, às vezes, os dois. “Açaí ou morango com leite é uma das misturas mais pedidas. Também pedem menta com groselha. Bem, nós temos diversos sabores e isso permite às pessoas usarem a imaginação, todas refrescam e cada um inventa o seu sabor”, conclui Carlos.

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