Imprimir

Ervas, temperos e artesanatos só na Casa da Raiz

Escrito por Juracy Xangai em .

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Sabores, cheiros e temperos da nossa cozinha e da medicina tradicional estão à venda numa das casas mais antigas do Camelódromo acreano

Ilma refez sua vida comercial pela terceira vez - Foto Juracy XangaiIlma refez sua vida comercial pela terceira vez - Foto Juracy Xangai

Viver é uma arte que, de certa forma, está combinada nas ervas, temperos e artesanatos à venda na Casa da Raiz, no mercado Aziz Abucater, o popular Camelódromo que concentra vários erveiros, brechós, cabeleireiros e o maior restaurante popular do centro de Rio Branco (AC), com mais de 30 pensões.

As centenas de ervas, sementes e raízes ladeiam-se com chapéus e acessórios variados, arte em cabaças, berrantes e outras peças de uso popular vendidas por Ilma Souza, que atende a todos dando sempre um conselho inicial: “Foi ao médico? Não! Então vá porque ele precisa te aconselhar”.

Medicina tradicional exige sempre a orientação médica - Foto Juracy XangaiMedicina tradicional exige sempre a orientação médica - Foto Juracy Xangai

Nos idos dos anos 80, Ilma e o marido tocavam um comércio no mercado Elias Mansour e outro num bairro da capital acreana. Tudo ia muito bem até que ele sofreu um acidente terrível com o carro. Por isso, viajaram para fora a fim de salvar sua vida e recuperá-lo. Nisso gastaram o que tinham, salvaram a vida do marido, que não voltou a andar e hoje é um dos destacados dos movimentos de defesa dos direitos dos deficientes no Acre.

“Além de gastar muito para salvar meu marido, tivemos um grande prejuízo com a perda de validade das mercadorias que ficaram no comércio fechado por muito tempo. Mas era preciso continuar a vida. Tinha dois filhos pequenos para cuidar, então recomecei a vida vendendo cravo, canela, camomila além de outras ervas e temperos de cozinha. Foi um recomeço bem difícil, mas graças a Deus fomos vencendo as dificuldades”, recorda Ilma.

A Casa da Raiz também vende objetos e produtos de multiuso - Foto Juracy XangaiA Casa da Raiz também vende objetos e produtos de multiuso - Foto Juracy Xangai

Com o passar do tempo, a comerciante foi descobrindo fornecedores e de novas ervas e temperos, além de mel e outros produtos tradicionais, até que o novo comércio se estabilizou e ia muito bem, quando em janeiro de 2010 um incêndio destruiu 26 lojas do camelódromo, inclusive a Casa da Raiz que literalmente virou fumaça.

Após incêndio, mais um novo recomeço

“Perdemos tudo de novo. Não sobrou nada, até minha gata de estimação que dormia aqui na loja morreu queimada. Apesar de tudo, senti a morte dela como maior perda. Para completar, nesse mesmo tempo peguei dengue, fui internada e por causa da doença não tinha ânimo para nada. Quando melhorei decidi recomeçar, agora já conhecia os fornecedores, renegociei as dívidas e comecei com o que tinha, mas agora já sabia o caminho. Quem trabalha vence, ainda que demore um pouco”, esclarece.

Produtos tradicionais como gergelim, unha de gato, hibisco, zedoária, quebra-pedras, eucalipto e chá verde, estão entre as mais vendidas para os que buscam solucionar problemas de saúde. Já o cravo e a canela em parceria com o açafrão, gengibre e a pimenta do reino são imbatíveis na cozinha.

A casa de ervas medicinais atrai pessoas de todas as idades - Foto Juracy XangaiA casa de ervas medicinais atrai pessoas de todas as idades - Foto Juracy Xangai

“Algumas ervas e temperos aparecem como novidade nos programas de televisão e na internet, as pessoas pedem, mas o interesse não dura muito tempo. Já os temperos e ervas tradicionais como o jatobá, o canelão, o picão, a cidreira e a carapanaúba, ganham cada vez mais espaço. A tradição é uma força extra, mas a verdade é que as pessoas estão buscando viver de maneira mais natural, principalmente os jovens mais conscientes”, explica.

Num testemunho pessoal, Ilma confessa que as ervas funcionam mesmo. “Eu mesma já tirei pedra dos rins duas vezes e as pessoas contam cada história de cura que a gente fica admirada. O importante é a pessoa acreditar, ter paciência e fazer da maneira certa, porque nada acontece num passe de mágica”, completa a comerciante.

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn