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De engraxate a vendedor de carros de luxo

Escrito por Tião Maia em .

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A história de Manuel Miranda, gerente da Mitsubishi, revela que a pobreza nem sempre é fator impeditivo para o sucesso

Empresário Manuel Miranda diz que oportunidades têm que ser agarradas como tábuas de salvação - Foto CedidaEmpresário Manuel Miranda diz que oportunidades têm que ser agarradas como tábuas de salvação - Foto Cedida

A reportagem que o leitor vai ler a seguir, como ensinam os bons manuais de jornalismo, deveria ser ilustrada por imagens de seu principal personagem ainda criança. Mas não há fotos desse tempo. É que o personagem da reportagem e sua família, numa época em que não havia as facilidades tecnológicas atuais das fotografias digitais, não poderiam se permitir gastar o pouco dinheiro destinado à sobrevivência com coisas supérfluas como fotografias.

“Ou a gente comprava comida ou gastava dinheiro com fotografias. Optamos pela primeira opção”, conta Manuel Francisco Lopes de Miranda, hoje com 51 anos de idade, casado com Marlúcia Miranda e pai de duas filhas.

O homem que cresceu e sobreviveu sem as imagens que poderiam recordar sua infância numa colocação do Seringal Bom Destino, no município de Porto Acre, apesar da pobreza, é um vencedor. Um dos mais jovens de uma família de 11 irmãos – dois homens e nove mulheres -, Manuel é filho do ex-seringueiro Tertuliano Monteiro de Miranda, de 74 anos, e da dona de casa Guilhermina Lopes de Miranda, falecida há 3 anos.

Manuel Miranda costuma contar sua história para meninos pobres como ele foi na infância - Foto CedidaManuel Miranda costuma contar sua história para meninos pobres como ele foi na infância - Foto Cedida

O garoto, que deixou o Seringal aos sete anos de idade para viver com a família na região do Bostal, no bairro 6 de Agosto, no Segundo Distrito de Rio Branco (AC), fez de um tudo para sobreviver. Foi vendedor de bananas em bacias, de peixe em embiricicas e engraxate.

Mas os tempos são outros. O antigo vendedor ambulante e engraxate das ruas de Rio Branco agora vende carros de luxo, da marca Mitsubishi Motors, a gigante do mercado internacional automotor e que foi fundada em 1870, em Minato, Tóquio, que vem a ser maior montadora japonesa e a décima sexta maior responsável por produção de veículos do mundo.

Manuel Miranda, do alto de seu 1m54, com apenas o segundo grau, mas portador de uma série de cursos de MBA pela Fundação Getúlio Vargas, é o gerente local da Agro Norte, empresa que representa a Mitsubishi Motors no Acre e comanda um exército de vendedores e outros funcionários no atendimento aos clientes de uma das maiores empresas privadas do Estado, além de ser empresário em diversos segmentos, incluindo o setor imobiliário.

“Eu conto minha história com muito orgulho porque costumo dizer que pobreza não é algo impeditivo para a realização de qualquer projeto. Basta que tenhamos foco”, diz Miranda, certo de que, no entanto, para manter o foco, é imprescindível que as primeiras oportunidades sejam agarradas como tábua de salvação.

Manuel Miranda, com a esposa Marlúcia, diz que pobreza não impede o sucesso quando se tem foco - Foto Tião MaiaManuel Miranda, com a esposa Marlúcia, diz que pobreza não impede o sucesso quando se tem foco - Foto Tião Maia

“Na 6 de agosto, enquanto eu ajudava meu pai com a venda de pães, de peixes que ele pescava no rio Acre ou de bananas que a gente comprava dos produtores para depois revender, eu percebi que minha vida e meu futuro estavam no comércio. Mas como um menino pobre pode se tornar comerciante, eu me perguntava”, conta Manuel.

Boas relações desde o tempo de engraxate

O empresário Manuel Miranda diz que oportunidades têm que ser agarradas como tábuas de salvação. As primeiras oportunidades vieram, segundo ele, graças às boas relações que mantinha desde os tempos de engraxate. Nesta atividade, perambulando pela principal rua comercial do bairro, travou conhecimento com empresários e comerciantes como Tuffi Assmar, Jaime Farhat e Rodolfo Amaral Gurgel, que passaram a ser seus clientes fiéis no lustre dos sapatos.

Foi o último desses três empresários que, ao conhecê-lo, já com 12 anos de idade, então dono da loja agropecuária Agro Boi, o levou para trabalhar com ele, às vezes como faxineiro, às vezes como estivador na carga e descarga de mercadorias.

A Agro Norte é uma das empresas privadas mais fortes do Acre - Foto DivulgaçãoA Agro Norte é uma das empresas privadas mais fortes do Acre - Foto Divulgação

Com a expansão da Agro Boi para a Agro Norte, o sócio e cunhado de seu primeiro patrão, Romário Barreiros, o “Alemão”, falecido num acidente automobilístico no ano de 2005, o convidou para acompanhá-lo no novo empreendimento. Ali, Manuel Miranda exerceu diversas funções, passando de vendedor até ao cargo de gerente, no qual permanece até hoje.

“Eu sou muito grato principalmente ao senhor Rodolfo Gurgel e ao Alemão, que enxergaram em mim o potencial que só eu sabia que tinha, mas não via as possibilidades para por isso em prática”, assinala.

“Por isso, sempre que tenho oportunidade de falar aos jovens, aconselho-os a terem foco, procurarem manter boas relações com aqueles que podem lhes gerar oportunidades e agarrar essas oportunidades como tábuas de salvação. Aliado a isso, é preciso ter também senso de responsabilidade e os caminhos se abrem”, completa.

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