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Sucesso das flores de pano coloridas do ex-seringueiro

Escrito por Tião Maia em .

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Vicente Roberto diz que até uma flor que se tira da floresta desequilibra a natureza

Ex-seringueiro e suas flores de pano coloridas que fazem sucesso em Rio Branco - Foto Tião MaiaEx-seringueiro e suas flores de pano coloridas que fazem sucesso em Rio Branco - Foto Tião Maia

Como todo seringueiro que se preza, Vicente Roberto Nascimento, de 54 anos, nascido nas florestas do município de Feijó, na região do rio Envira, interior do Acre, sempre foi um defensor intransigente do meio ambiente. Mesmo sem ter ido à escola formal (“sou formado na escola da vida”, ele diz), sabe, desde criança, que a natureza e todos os seus elementos são imprescindíveis para a garantia da vida sobre a terra.

“Uma pequena flor que a gente tira da floresta, só isso, é capaz de causar algum desequilíbrio na natureza. Essa flor arrancada da floresta vai deixar de produzir o alimento necessário às abelhas e a outros insetos que têm papel relevante na natureza”, ensina o ex-seringueiro, que hoje vive em Rio Branco, no bairro da Conquista, e que garante o sustento da família, a mulher e quatro filhos, vendendo flores – flores de pano, é bom que se diga.

Ex-seringueiro Vicente sempre enaltece a importância da floresta para a vida na Terra - Foto Tião MaiaEx-seringueiro Vicente sempre enaltece a importância da floresta para a vida na Terra - Foto Tião Maia

“Eu sempre fui admirador das cores da natureza, principalmente de flores. No seringal, quando saía para cortar seringa, eu chegava a perder tempo parado olhando a beleza da floresta e sou capaz de dizer de cabeça como são todas aquelas cores, os cheiros da floresta”, revela, visivelmente emocionado.

Quando veio para a cidade, no final dos anos 70, tangido pela crise nos seringais, Vicente Roberto descobriu que precisava arranjar uma atividade econômica para sobreviver e garantir o sustento da família. Tentou de tudo. Foi empregado do comércio, tentou ele próprio ser comerciante, mas acabou por entregar os pontos e desistiu, chegando até mesmo a passar um bom período desempregado, vivendo de bicos. “No seringal, a gente não aprende outra profissão senão cortar seringa. Na cidade, isso não tem serventia alguma”, disse.

A bicicleta é o meio de transporte do seringueiro para vender suas flores na capital acreana - Foto Tião MaiaA bicicleta é o meio de transporte do seringueiro para vender suas flores na capital acreana - Foto Tião Maia

Vicente vende suas flores pedalando na bicicleta

Com a crise financeira e o desemprego rondando sua vida e de sua família, Vicente Roberto recorreu às lembranças das cores da floresta e passou a desenhar as imagens que lhe vinham à mente. Primeiro, no papel. Depois, no pano. Os amigos e familiares começaram a admirar sua arte e aí ele percebeu que poderia ganhar dinheiro com aquilo.

Com os desenhos prontos, ele passou a montá-los sobre arranjos de madeira e hoje é conhecido em toda Rio Branco como um dos maiores vendedores de flores artificiais da cidade. Montado numa bicicleta, pedalando à média de até 50 quilômetros por dia, ele vai de porta em porta oferecendo seus produtos e sua arte.

Foto 5 - Vicente produz belos arranjos com suas flores de panos coloridas - Foto Tião MaiaFoto 5 - Vicente produz belos arranjos com suas flores de panos coloridas - Foto Tião Maia

É um trabalho tão perfeito que muitas vezes passa por original. “Eu fico triste quando vejo alguém vendendo flores e plantas vivas. Plantas e flores têm que estar onde elas nascem. O lugar delas é natureza. Se alguém quer ganhar dinheiro com a natureza, tem que fazer como eu faço: procurar imitar aquilo que Deus criou”, disse.

E assim o ex-seringueiro vai ganhando a vida. Seus arranjos têm preços a partir de R$ 35,00 e podem chegar até a R$ 200,00 dependendo do tamanho. A facilidade é que o vendedor também vende a crédito. “Parcelo em até três vezes’, diz.

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