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Emoção de cortar e aparar pela rabiola

Escrito por Tião Maia em .

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Ex-vendedor de tecidos deixa de ser empregado do comércio para se tornar dono de uma fábrica de pepetas

A emoção de cortar a aparar pela rabiola é muito grande para a meninada -  Foto DivulgaçãoA emoção de cortar a aparar pela rabiola é muito grande para a meninada - Foto Divulgação

Ele já foi o maior vendedor de tecidos na loja em que trabalhou por mais de 18 anos, a “Tecidos Cuiabá”, que funciona no centro de Rio Branco (AC). Também já foi funcionário público, na Assembleia Legislativa. E se destacava na venda de tecidos porque ia pessoalmente fazer visitas às ex-colegas de serviço público com amostras do pano que disponibilizava para as vendas e que seria transformado em saias, vestidos e outras peças das madames que trabalhavam – e ainda trabalham – no local.

Mas hoje vive de fabricar – sim, o verbo é este mesmo – “pepetas” e garante que agora, dono de seu próprio negócio, é bem mais feliz do que nos tempos em que vivia, como diz, de esfregar o umbigo no balcão da loja ou como barnabé do serviço público.

Papel e tala de buriti são utilizadas para cobrir a armação da pepeta  - Foto DivulgaçãoPapel e tala de buriti são utilizadas para cobrir a armação da pepeta - Foto Divulgação

“Com todo respeito que tenho pelos meus ex-colegas que continuam no comércio ou no serviço público, mas eu acho que ser dono do próprio negócio, por mais humilde que seja é muito mais vantajoso”, diz o fabricante Joaquim Costa das Neves, de 56 anos, natural de Sena Madureira, casado, pai de quatro filhos. Sua mulher, dona Fátima Silva Neves, toca uma mercearia anexa à residência dos Neves, na rua Botafogo, bairro da paz, em Rio Branco.

“Enquanto minha mulher cuida da mercearia e de um salão de beleza que ela também tem na nossa casa, fazendo unhas, cortando cabelo e cuidando da beleza da sua clientela, eu estou, no fundo do quintal, fabricando as pepetas com ajuda dos meus filhos”, revela Joaquim.

Cola, linha e vidro fazem parte da brincadeira de soltar pepetas que vão colorir o céu - Foto Tião MaiaCola, linha e vidro fazem parte da brincadeira de soltar pepetas que vão colorir o céu - Foto Tião Maia

Na verdade, Joaquim Costa das Neves faz apenas o acabamento das “pepetas’. Quem monta a carcaça é um auxiliar seu, que vive na periferia de Rio Branco, de nome Silvano. É ele o responsável em recolher na mata as fibras – na verdade, talas – de palheiras, principalmente do Buriti, que vão servir de armação. “Depois da carcaça pronta, eu uso papel, cola e linha para montar as pepetas que vão ganhar os céus e fazer a alegria da garotada”, assinala.

Produção diária de 100 pepetas

A entrega dos brinquedos é feita pelo próprio Joaquim com o auxílio de uma bicicleta. Há dias em que ele chega a pedalar mais de 50 quilômetros entregando os brinquedos no comércio dos clientes que vão revendê-las. Ele entrega cada uma peça a R$ 1,50 e chega a fabricar até 100 “pepetas” por dia.

Seu Joaquim é o dono da fábrica de pepetas - Foto Tião MaiaSeu Joaquim é o dono da fábrica de pepetas - Foto Tião Maia

“Sou feliz no que faço porque sei que meu produto também faz as pessoas felizes, principalmente as crianças. Enquanto houver crianças brincando, o mundo não corre tanto perigo”, chega a filosofar, informando que entre seus clientes também estão pessoas adultas.

O único perigo da atividade é a utilização do cerol – uma mistura de pó de vidro com cola untado à linha da “pepeta” e que serve para “cortar” as concorrentes. Há quem use também lâminas de barbear – também conhecida pela marca Gillete – na rabiola e que também serve para cortar e aparar as adversárias. O fabricante não aconselha a utilização das duas coisas. Mas, ao mesmo tempo, se pergunta, com seus olhos brilhantes como se criança ainda fosse: “Mas soltar pepeta sem a emoção de cortar e aparar não tem graça, né?”.

É. Parece que não tem mesmo. Só sabe a emoção de cortar e aparar no ar quem um dia foi de fato um menino feliz.

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