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Roupas usadas para enfrentar a crise

Escrito por Juracy Xangai em .

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Enquanto roupas novas empancam, reparo de roupas usadas garante sucesso ao ateliê da ex-balconista Cáritas Natalina

Cáritas e mais uma clliente satisfeita com o serviço - Foto Juracy XangaiCáritas e mais uma clliente satisfeita com o serviço - Foto Juracy Xangai

Apesar da crise, nem tudo está perdido e o verdadeiro segredo está em buscar soluções simples para atender às necessidades das pessoas em seu dia-a-dia. É isso que se observa nas oficinas de consertos de roupas, panelas, eletrodomésticos e até lojas de roupas, convertendo parte do negócio em brechó para garantir a sobrevivência do negócio.

O Ateliê Cáritas que há quatro anos funciona no box 1-A, no Mercado do Bosque, em Rio Branco (AC), é um exemplo disso. Sua proprietária, Cáritas Natalina de Souza, conta sua história. “Nos últimos 15 anos nosso ramo vivia das encomendas de costura de roupas para festas e para crianças, mas já a partir de 2013 começamos a perceber a crise, as encomendas foram caindo até minguar de vez, hoje são poucas, mas em compensação aumentaram os consertos e também as customizações de peças usadas que assim ficam novas de novo”, assinala Cáritas.

Artesanato é outro atrativo da lojinha de Cáritas Natalina - Foto Juracy XangaiArtesanato é outro atrativo da lojinha de Cáritas Natalina - Foto Juracy Xangai

Mas a arte da costura e seus detalhes acompanha Cáritas Natalina desde menina, época em que fazia roupinhas de luxo para suas bonecas, que depois eram apresentadas em desfiles de moda nas brincadeiras com as coleguinhas de infância.

Cáritas cresceu amando a costura, mas a vida a conduziu para ser balconista e caixa de loja, trabalho ao qual se dedicou por mais e 20 anos. “Gosto de trabalhar, sempre dei o melhor de mim, mas os patrões geralmente não te reconhecem como pessoa, ou seja, você tem hora para entrar, só não tem para sair, além do que ainda rolam umas humilhações desnecessárias. Cansei daquilo e decidi que não iria mais trabalhar para outras pessoas, tocaria a vida por minha conta e risco, foi a melhor coisa que eu fiz”, lembra.

Cáritas Natalino conserta roupas usadas para seus clientes - Foto Juracy XangaiCáritas Natalino conserta roupas usadas para seus clientes - Foto Juracy Xangai

A criatividade e o jeitinho brasileiro

Após sair do emprego, a costureira Cáritas Natalina começou a fazer bolsas e assessórios para vender, até que a sogra, que era costureira, a chamou para trabalhar juntas na oficina fazendo consertos. “Dali para frente fui me especializando no reparo das roupas, só fazia outras coisas quando sobrava um tempinho. Há onze anos, minha sogra faleceu, daí decidi abrir meu próprio ateliê e aqui estamos”, completa.

A euforia de compras, vendas e encomendas, vista nos tempos da prosperidade brasileira, apagou-se, mas as pessoas precisam continuar tocando a vida e usam a criatividade somada ao tradicional jeitinho brasileiro para desviar-se dos efeitos danosos da crise.

Brechó na entrada da loja é mais uma estratégia de sobrevivência do negócio - Foto Juracy XangaiBrechó na entrada da loja é mais uma estratégia de sobrevivência do negócio - Foto Juracy Xangai

Cáritas destaca que as pessoas hoje vivem um novo tempo, onde economizar cortando gastos e sem ostentação é a ordem do dia. “As mesmas pessoas que sempre vieram fazer encomendas de roupas para festas comentam que cortam gastos, agora trazem roupas para consertar. A grande maioria dos homens traz calças para ajustar as pernas e fazer barra, já as mulheres trazem camisetas e vestidinhos para ajustar ou customizar com rendas e pedrarias, com isso as roupas ganham aparência de novas. Tudo para economizar o dinheiro de uma peça nova”, assinala.

No ateliê, também funciona um brechózinho de peças usadas pelos próprios clientes, que antes encomendavam roupas novas e agora até compram as usadas para trabalhar ou ir às festas economizando dinheiro. No brechó, há camisas, calças e camisetas para adultos e crianças, além de acessórios de moda, que ganham destaque logo à entrada da loja.

Ambiente simples, mas suficiente para Cáritas costurar e customizar roupas - Foto Juracy XangaiAmbiente simples, mas suficiente para Cáritas costurar e customizar roupas - Foto Juracy Xangai

“O brechó é hoje um ponto de apoio importante nas vendas de nossa lojinha, assim como as sandálias e outras peças customizadas por uma amiga minha. Já fiz muita sandália, hoje não faço mais, mas o espaço está aberto para receber peças de venda”, convida Cáritas.

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