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Quando até o abacaxi se torna uma solução

Escrito por Juracy Xangai em .

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Comercializar na rua é uma arte que garante a sobrevivência de muitos trabalhadores formais ou informais na venda para os passantes

Entre frutas frescas, Valdo faz do negócio um ponto de amigos - Foto Juracy XangaiEntre frutas frescas, Valdo faz do negócio um ponto de amigos - Foto Juracy Xangai

Há comércios que passam de pai para filho de geração em geração, outros vivem por décadas e alguns nem duram tanto tempo assim, pois as mudanças de consumo, da política e as crises econômicas arrastam muitos para a falência ou empurram para outros ramos de atividade e isso é uma regra geral no mundo dos negócios.

Manoel Valdo aprendeu essa regra desde menino, quando perambulava pelo antigo mercado da Praça da Bandeira e ruas do centro de Rio Branco (AC) empurrando um carrinho de mão carregado de bananas, laranjas e outras frutas de época para ganhar seu dinheirinho e ajudar a família.

Descascando laranjas na máquina para oferecer à clientela - Foto Juracy XangaiDescascando laranjas na máquina para oferecer à clientela - Foto Juracy Xangai

Já crescido foi tocar sua loja de confecções no centro da cidade, atividade que desenvolveu por 18 anos, até que as constantes crises dos anos 80 e 90 foram combalindo o negócio, que ele fechou antes de falir. Agora, era preciso definir um novo negócio para tocar a vida adiante.

“Todo tipo de comércio é uma atividade boa, floresce por um tempo, mas tem suas dificuldades e quem é do ramo precisa saber a hora de parar senão perde tudo o que já tem. Quando vi que não estava bem eu parei, passei a loja para frente e paguei as contas. No começo, até tentei fazer várias outras coisas, mas decidi fazer o que eu sei e gosto de fazer”, enfatiza Valdo.

Abacaxi descascado, laranja e acerola - Foto Juracy XangaiAbacaxi descascado, laranja e acerola - Foto Juracy Xangai

Assim, Valdo voltou à venda de frutas na rua e até fixou, há 15 anos, ponto na calçada da rua Isaura Parente, entre o Posto Parati e a Maria Farinha, onde quem passa o vê sempre cercado por abacaxis, laranjas e outras frutas de época.

“A rua é o melhor lugar para a gente trabalhar, aqui estamos sempre à vista de quem passa, conversamos com as pessoas, vendemos, compramos e ainda conquistamos amizades. Eu gosto muito do que faço e de como faço”, afirma o vendedor.

Abacaxi, melancia e laranja lideram as vendas

O comerciante Manoel Valdo diz que o carro chefe nas vendas são a melancia, o abacaxi e a laranja. “Tudo vende, mas nada vende tão bem como o abacaxi, todo mundo gosta de abacaxi e o quanto tenha é o quanto vende inteiro ou descascado é sempre bom mesmo. Mas não tem o ano inteiro, na entre safra há falta, fica mais caro porque vem de fora, mas é a fruta de melhor venda que tem. Tendo vendo uma carrada por semana”, assinala o comerciante.

Abacaxi ainda é a fruta mais desejada pelos consumidores - Foto Juracy XangaiAbacaxi ainda é a fruta mais desejada pelos consumidores - Foto Juracy Xangai

No carrinho, há sempre abacaxis, melancias do Acre e laranjas paulistas. Além de polpas de acerola e abacaxi descascado aguardando o cliente no gelo, também há mamão e as frutas que forem aparecendo conforme o dia da semana.

Trabalhar na rua tem lá seus fatores de risco, um deles é a insegurança que assusta os vendedores, o tempo de chuva quase interminável no inverno amazônico e a dificuldade de abastecer o ponto de venda, hoje nem tanto pela baixa produção, mas muito mais pela falta de condição de tráfego nos ramais para que os produtos cheguem aos pontos de venda.

“Hoje, o fator mais grave para a gente que está trabalhando nas ruas é mesmo essa crise que se instalou para valer, até dois anos atrás eu vendia um caminhão de abacaxi por semana, hoje estou vendendo menos que a metade disso, não está fácil vender porque as pessoas querem, mas estão sem dinheiro e, por isso, não compram”, lamenta o comerciante.

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