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E a crise bateu no bolso do produtor do mercado

Escrito por Juracy Xangai em .

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Produtores que vendem nas feiras reclamam que as vendas caíram para menos da metade, pois os consumidores já compram menos comida

Marilza lamenta queda nas vendas de alimentos por causa da crise - Foto Juracy XangaiMarilza lamenta queda nas vendas de alimentos por causa da crise - Foto Juracy Xangai

Comer é uma necessidade fundamental a qualquer ser vivo, mas garantir essa exigência requer meios como o dinheiro, que simplesmente desapareceu com a crise econômica que afeta gravemente a população mais carente.

A falta de dinheiro, que até agora assustava na capital acreana principalmente as lojas de roupas e calçados ou artigos mais supérfluos, nos últimos dias chegou ao indispensável, que são os gêneros alimentícios expostos em feiras e mercados populares, como o do Elias Mansour, no Centro de Rio Branco, como lamentam os feirantes.

Há 25 anos, Marilza Rosa do Nascimento casou-se com o filho de uma família assentada no projeto de colonização Humaitá e, desde então, passou a cultivar uma horta cuja produção comercializa, desde então, no Mercado Elias Mansour no centro da cidade, de onde sempre conseguia dinheiro suficiente para manter as despesas essenciais da casa com seus seis filhos, mas reclama que agora sua renda habitual caiu para bem menos da metade.

Produtora Terezinha diz que até a venda de gado está difícil - Foto Juracy XangaiProdutora Terezinha diz que até a venda de gado está difícil - Foto Juracy Xangai

“Vendo aqui há 20 anos, comércio tem seu sobe e desce natural conforme o dia do mês ou a época do ano, mas desde que essa crise começou a gente notou uma queda constante nas vendas, foi piorando, piorando a ponto de que durante o mês de outubro nem a liberação do pagamento dos funcionários melhorou as vendas, agora está ainda pior”, lamenta a produtora.

Ainda vivendo na colônia de sua sogra, Marilza cultiva jilós, couve, cheiro-verde, pimentas, abobrinha, jerimum, chicória, rúcula, alface e outras hortaliças que vende todas as terças-feiras no mercado dos produtores do Elias Mansour, mas a queda nas vendas é um fenômeno inesperado para ela, acostumada a vender bem.

Faturamento semanal caiu mais da metade

“Toda semana, eu vinha para a feira e levava uma média de R$ 500 a 600 reais para casa. Esse dinheiro sempre foi importante para ajudar nas despesas lá de casa, mas agora trago a mesma quantidade de mercadoria e, desde outubro, não consigo levar mais de R$ 120, no máximo 150 reais para casa. A verdade é que as pessoas estão endividadas, quando recebem têm de pagar as contas, no final sobra pouco para comprar comida, por isso a gente vende menos”, avalia Marilza.

Feira é termômetro do comportamento do mercado e das pessoas - Foto Juracy XangaiFeira é termômetro do comportamento do mercado e das pessoas - Foto Juracy Xangai

A maior parte da propriedade, que tem 75 hectares é ocupada pelo pasto, restando pouca área para lavoura, mas mesmo o gado já não está mais dando o mesmo retorno que antes, como relata ela. “Antigamente, quando o boi era dinheiro na mão, quando tivesse era quando vendia na hora que quisesse. Agora até para vender gado está ruim, o preço caiu e quando consegue vender é fiado para receber com um ou dois meses depois. Para o lado que gente olha, há sempre uma dificuldade. Vamos ver se com a chegada do inverno as vendas das verduras melhoram”.

A produtora Tereza de Jesus Carvalho, moradora do Umarizal, localizado no quilômetro 26 da rodovia Transacreana há 25 anos confirma o lamento da companheira Marilza. “Toda semana, eu levava de 250 a 300 reais para casa, mas com essa queda nas vendas, vendo uns 100, quando chega a R$ 120 já comemoro. Na verdade, quem ganha com isso são os marreteiros, que chegam no fim da feira e compram nossas sobras por nada mais um pouco porque não adianta levar de volta para casa”.

Muitos produtos sobre as bancas e poucos compradores - Foto Juracy XangaiMuitos produtos sobre as bancas e poucos compradores - Foto Juracy Xangai

A grande esperança para produtores como Tereza e Marilza é a chegada do inverno amazônico, que costuma destruir as hortas a céu aberto, sobrando apenas as hortas cobertas onde ainda é possível produzir hortaliças. “O inverno é amigo de quem tem estufa para plantar, sempre foi o período em que a gente mais ganha dinheiro, mas é preciso que as pessoas tenham dinheiro para comprar”, assinala Tereza de Jesus.

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