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ONU aponta a mandioca como o alimento do século XXI

Escrito por Tião Maia em .

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Revista fala da importância para a saúde humana e reportagem EXPRESSO AMAZÔNIA mostra assertiva do governo Tião Viana em investir no setor

Governador Tião Viana confere o progresso da mecanização da mandiocultura no Acre - Foto Secom-ACGovernador Tião Viana confere o progresso da mecanização da mandiocultura no Acre - Foto Secom-AC

A revista Saúde, da Editora Abril, especializada em gastronomia e saúde alimentar, acaba de publicar, na edição que se encontra nas bancas de todo o país, que a Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu a mandioca – aipim ou macaxeira, dependendo da região do país - como o alimento do século 21.

Segundo a revista, a raiz, que é abundante no Nordeste e na Amazônia, especialmente no Acre, é reverenciada no país há muito tempo e chegou a ser apelidada de “rainha do Brasil”. Há indícios históricos de que sua majestade, a mandioca, já imperava absoluta por aqui muito antes de os colonizadores portugueses desembarcarem em terras tupiniquins.

No Acre, de acordo com a publicação governamental “Acre em Números”, editada pela Secretaria de Planejamento, versão 2017, a cadeia produtiva da mandioca movimentou no ano anterior R$ 332 milhões, com uma produção de 1,1 mil toneladas em todo o território acreano.

É grande o comércio da farinha em todo o Acre e, particularmente, em Cruzeiro do Sul - Foto DivulgaçãoÉ grande o comércio da farinha em todo o Acre e, particularmente, em Cruzeiro do Sul - Foto Divulgação

Na região de Xapuri, a indústria local já é capaz de produzir uma tonelada de farinha por dia, envolvendo 15 produtores de macaxeira da região, liderados pelo industrial Raimundo Nobre, o “Gu”.

Com o plantio mecanizado, o rendimento da mandioca in natura (raiz) é entre 18 a 20 toneladas por hectare e é avaliado em aproximadamente R$ 10 mil. Números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) falam de uma produção média no Brasil de 15,2 toneladas por hectare, enquanto no Acre o rendimento agrícola sobe para 29,3 toneladas por hectare.

A explicação técnica para tamanho sucesso está na natureza, relacionados a fatores tropicais. No Acre, o clima é quente e úmido e isso é ideal para o cultivo da macaxeira porque a planta necessita de temperaturas acima de 18° C e muita luminosidade, diz o chefe geral da Embrapa-Acre, pesquisador Eufran Amaral.

Em 2017, embora os números não tenham sido fechados oficialmente, a produção só aumentou, segundo o secretário-adjunto de Agricultura e Pecuária, Fernando Melo, que recebeu a missão do governador Tião Viana de cuidar do setor de mandioca em seu governo. “Eu costumo dizer que temos no Acre um novo tipo de agricultor, aquele especializado em mandioca, que eu costumo definir como mandioqueiros”, assinala Melo.

O Acre é apontado por pesquisadores como região ideal para o plantio e o cultivo da mandioca - Foto DivulgaçãoO Acre é apontado por pesquisadores como região ideal para o plantio e o cultivo da mandioca - Foto Divulgação

Romper com o plantio na base da enxada

Para se ter uma ideia da importância da mandioca para a economia local, o Acre sediou, em junho do ano passado, em Xapuri, o I encontro de produtores de mandioca do Alto Acre e Capixaba. O encontro contou com a participação de especialistas como Joselito Motta, da Embrapa da Bahia, que falou sobre a importância do produto para a alimentação humana, e com Raimundo Brado, da Embrapa do Pará, que palestrou sobre a importância da produtividade e roça sem fogo.

Marcio Bayma, da Embrapa do Acre, fez uma avaliação econômica da agroindústria de farinha de Xapuri e os participantes do evento chegaram à conclusão de que o Acre precisa romper de vez com o modelo tradicional do plantio da raiz na base da enxada. O mediador do encontro foi o secretário-adjunto Fernando Melo.

Além de poder ser consumida cozida ou assada, a mandioca também serve de matéria-prima para a produção de farinha de mandioca, bolos, farinha de tapioca, biscoitos e outros produtos que fazem parte da culinária regional. Versátil, a mandioca é soberana na culinária brasileira.

Entre seus derivados, a farinha reina na cozinha e acompanha desde o feijão até a carne-seca, farofa de ovo, passando por pratos de cozidos, entre outras parcerias deliciosas. Já o tacacá, caldo que antes preenchia cuias apenas na região Norte, hoje é apreciado também em restaurantes mais ao Sul do país, servido com a goma cozida entre folhas de jambu e acompanhado de camarão.

Descascando a mandioca para fazer a farinha - Foto DivulgaçãoDescascando a mandioca para fazer a farinha - Foto Divulgação

Especialistas destacam que produto combate até diabetes tipo 2

Nutricionistas dizem que a mandioca consumida produz para o corpo humano dois tipos de carboidrato, a amilopectina e a amilose. A dupla, de acordo com a revista “Saúde”, faz a glicose ser liberada mais lentamente para o corpo, o que evita picos de açúcar no sangue, ação que poupa o pâncreas de trabalhos exaustivos, reduzindo o risco de diabetes tipo 2.

Além do carboidrato, a mandioca presenteia o organismo com fibras, vitamina C e, ainda, minerais como o potássio, o magnésio e o cálcio. E, por obra de pesquisas e cruzamentos entre variedades, sua polpa branca tem sido realçada com tons amarelos vindos dos carotenoides, pigmentos famosos pela potente ação antioxidante e protetora contra doenças do envelhecimento, disse o especialista Joselito Mota, em entrevista ao Expresso Amazônia, durante o encontro em Xapuri.

Além disso, por causa do amido e fibras, a ingestão do produto traz para o organismo uma sensação de saciedade prolongada, o que atenua os ataques de gula. Entre os produtos e subprodutos da mandioca, o mais versátil e valorizado é a fécula, conhecida também, em algumas regiões brasileiras, como polvilho doce ou goma. É o produto mais nobre extraído das raízes e sua utilização se dá em mais de mil segmentos, principalmente nas indústrias alimentícias, de plásticos e na siderurgia.

Governo acreano moderniza o setor com tecnologia

Antes mesmo da descoberta da ONU, o governo do Acre já vinha se preparando para fazer da mandioca uma cadeia produtiva capaz de ajudar pequenos e médios agricultores a terem, no setor, mais uma alternativa de renda na busca da independência econômica.

Produção da farinha de Cruzeiro do Sul, considerada a melhor do Acre - Foto DivulgaçãoProdução da farinha de Cruzeiro do Sul, considerada a melhor do Acre - Foto Divulgação

“Desde a campanha para o seu primeiro mandato, o governador Tião Viana vem falando na necessidade de o Acre ter uma classe rural independente, que consiga viabilizar seus negócios pelos próprios meios. É possível que nem tudo o que o governador sonhou para o setor tenha sido realizado, mas estou convencido de que, principalmente na área da agricultura e no que diz respeito à mandioca, nós avançamos muito”, acrescenta Fernando Melo.

“Nós já podemos dizer que temos uma cadeia produtiva em atividade e que isso gera renda a milhares de agricultores. Com essa notícia de que a ONU reconhece a importância desse produto, sentimos que nosso governo sempre esteve no caminho certo quando passou a investir no setor”, assinala Melo.

De acordo com a revista “Saúde”, nos primórdios da descoberta do Brasil, a mandioca era o segredo da energia e vitalidade dos povos que habitavam as terras brasileiras antes da chegada dos conquistadores europeus. Desde a chegada dos portugueses, a raiz também passou a ser fonte de energia para os conquistadores, os quais, deste lado do Atlântico, passaram a trocar o pão de trigo pelo beiju, extraído da goma da mandioca. Passados mais de 500 anos, permanece o movimento que aos poucos vai destronando o pãozinho francês da mesa do brasileiro, que claramente está perdendo seu trono para a tapioca.

De olho nesse mercado, o governo de Tião Viana buscou, ao longo de seus dois mandatos, ampliar a cadeia produtiva de mandioca. “O cultivo desta raiz é uma importante atividade econômica e social, apresentando um crescente aumento na demanda do produto”, diz o secretário de Agricultura e Pecuária (Seap), José Carlos dos Reis.

É muito diversa a saborosa culinária com base na mandioca - Foto DivulgaçãoÉ muito diversa a saborosa culinária com base na mandioca - Foto Divulgação

Segundo o secretário José Reis, a estratégia do governo e da própria Seap para 2018 é viabilizar as agroindústrias de farinha no estado, adotando uma nova linha de industrialização. A automatização inclui o limpador da raiz, descascador, cevador elétrico, triturador, prensa, forno elétrico e o torrador. “Trata-se do contato manual para a produção de farinha”, assinala o secretário José Reis.

Para José Reis, o estado ainda carece de novas técnicas de processamento, aplicação das Boas Práticas de Fabricação (BPF) e melhoria nos sistemas de produção. “Nós estamos trazendo novas plantadeiras, tratores, arrancadores, raladores e fornos automatizados adotando o trabalho mecanizado de processamento industrial”, diz o secretário, ao acrescentar que as casas de farinha também estão sendo automatizada.

O governo do estado, segundo Reis, recebeu três plantadeiras de macaxeira de quatro linhas. O maquinário foi adquirido com recurso do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e faz parte do fomento à cadeia produtiva da macaxeira. “Essa plantadeira vai oferecer ao produtor a garantia de uma plantação bem feita, em escala industrial”, destaca o gerente do Departamento de Modernização Agrícola da Seap, Nilton Cesar.

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