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Governos se unem no Acre para incrementar cultura do café

Escrito por Tião Maia em .

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Produtores manifestam interesse no plantio e produção de mudas para abastecer um mercado cada vez mais em expansão

Governador Tião Viana, secretários e produtores no Ramal Granada, a maior experiência em plantio regional de café - Foto Secom-ACGovernador Tião Viana, secretários e produtores no Ramal Granada, a maior experiência em plantio regional de café - Foto Secom-AC

2018 será o ano da retomada da cultura do café no Acre. O que até 2012 parecia apenas um ato de teimosia do então secretário de Estado de Pequenos Negócios, José Carlos dos Reis, que insistia no fomento de um programa de produção de mudas de café num momento em que nem mesmo as secretarias e outros órgãos envolvidos com a agricultura não acreditavam no potencial do estado em relação a essa cultura, eis que, no final de 2017, vários atores da área, tanto em nível estadual como federal, tiveram que se reunir porque aumentou muito a pressão de produtores interessados no produto.

Diante da pressão, o escritório regional da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa-Acre) teve que promover um curso, de dois dias, sobre a produção de mudas e o plantio de café. Participaram agricultores familiares de Mâncio Lima, Assis Brasil, Plácido de Castro, Capixaba e de Acrelândia – este município detém, isoladamente, 60% da área total cultivada do estado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Atualmente, o Acre possui 1.450 hectares de cultivos de café e a cultura tem despertado o interesse de produtores rurais das diversas regionais do estado. “Nós sabíamos, desde lá de trás, que essa cultura teria aceitação no Acre e que, a despeito de tudo o que dizem ao contrário, o solo acreano é propício para o plantio”, disse José Carlos Reis.

Café do Acre já é conhecido pelo padrão de qualidade - Foto DivulgaçãoCafé do Acre já é conhecido pelo padrão de qualidade - Foto Divulgação

Durante o curso de capacitação sobre a cultura do café, os agricultores aprenderam técnicas sobre a produção de mudas do tipo clonal. De acordo com os técnicos que ministraram o curso, há uma grande procura por mudas de café para novos plantios e isso levou o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/AC), governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seap), Embrapa-Acre e Embrapa-Rondônia, a se movimentarem para atenderem a demanda.

O agricultor Celso Timpurim, de Acrelândia, um dos participantes do curso, revelou que estruturou um viveiro há três anos. As 120 mil mudas produzidas já estão praticamente vendidas, disse. “Eu já forneci mudas para Extrema de Rondônia, distrito de Porto Velho, e vou entregar para um produtor de Guajará, no Amazonas, então eu digo que minhas mudas estão de Rondônia ao Amazonas, com o Acre no meio”, afirma.

Segundo Timpurim, que em seus 70 hectares produz café, peixe e leite, a produção de mudas de café tem se configurado como uma importante alternativa de renda. “Não é fácil, mas com dedicação e perseverança a gente tem conseguido. Precisa de muita informação e por isso essa capacitação foi fundamental. Eu já pude observar que posso aprimorar a qualidade do substrato que utilizo nos tubetes e dosar melhor a adubação para ter mais economia”, diz.

Trabalhador colhendo o café de forma manual - Foto DivulgaçãoTrabalhador colhendo o café de forma manual - Foto Divulgação

A engenheira florestal Jucélia Almeida, do Viveiro da Floresta do Governo do Estado, conta que já produziu mudas de café a partir de sementes, o café germinal. “Agora com esse curso, nós temos condições de produzir mudas de café clonal, método mais viável que o germinal. As mudas clonais apresentam as mesmas características da planta mãe, porque é realizado um trabalho de seleção de espécies no campo, como resistência a pragas e doenças e maior produtividade”, afirma.

Boa produtividade do café conilon

O Acre vem apresentando nestes últimos anos boa produtividade de café conilon (também conhecido como robusta ou canéfora) em relação à Rondônia, considerado maior produtor da região Norte, com média de 26 sacas de café limpo por hectare. Atualmente, o estado produz 37 mil sacas por ano e para atender a demanda do mercado local seriam necessárias 98 mil sacas.

Para o instrutor do curso, o analista da Embrapa Rondônia, João Maria Diocleciano, o Acre tem condições para suprir essa demanda. “No Ramal Granada, onde foi realizada a parte prática da capacitação, pode-se notar esse potencial. O café clonal já é uma realidade em Rondônia e aqui no Acre está iniciando o processo de substituição das lavouras germinais por clonais. Isso vai aumentar a produtividade, além de ter um café de ótima qualidade”, afirmou.

Agricultores participam de curso sobre plantio e produção de mudas - Foto EmbrapaAgricultores participam de curso sobre plantio e produção de mudas - Foto Embrapa

Na região Norte, Rondônia é o maior produtor com 84.734 toneladas, seguido pelo Acre com uma produção de 2.229 toneladas, dizem dados do IBGE, de 2015. “No Estado do Acre a atividade tem importância pelo potencial produtivo, sendo economicamente viável, e pela condição de agregação de valor ao produto, além da expressiva capacidade de geração de emprego no campo”, afirma o pesquisador da Embrapa Acre, Celso Bergo.

"Com apoio do Governo do Estado e Município, entre outras instituições do terceiro setor, e apropriação de tecnologias já difundidas pela Embrapa no Acre, a produção de café tem condições de obter excelente qualidade, pois área plantada com plantas superiores os agricultores familiares já vê se empenhando", é o que comenta a analista da Embrapa Acre, Dorila Gonzaga.

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