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A beleza e o encanto do arte indígena acreana

Escrito por Juracy Xangai (*) em .

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Na loja Bari da Amazônia, turistas se encantam com os artesanatos dos índios Kaxinawá, Yawanawá e Kampa, que virou moda até na Globo

A arte geométrica dos kenês encanta os olhos dos clientes - Foto Juracy XangaiA arte geométrica dos kenês encanta os olhos dos clientes - Foto Juracy Xangai

Mantas tecidas à mão com desenhos geométricos que invocam a escrita tradicional do Kenês, cestos de arumã, cocares, redes de palha, armas, pulseiras, colares e esculturas retratando a cultura tradicional dos povos da floresta estão à venda na lojinha Bari da Amazônia, localizada no Mercado Velho, um dos pontos mais frequentados pelos turistas que visitam a capital acreana.

Funcionando há mais de 10 anos, a Bari da Amazônia oferece aos visitantes objetos produzidos pelos índios Kaxinawá (Huni Kui), Yawanawá, Apurinã, Marubo, Kampa (Ashaninka) e outros povos da região. Também há esculturas de animais feitas em Feijó por Antônio Camucim, além de imãs de geladeiras e outras pequenas peças produzidas por artesãos de Rio Branco, sempre representando cenas da floresta e o modo de viver amazônico.

As pulseiras e colares de miçangas com a escrita geométrica dos Kenês ganhou destaque nacional e virou moda nas novelas da Globo desde que Marcelo Rozembal passou a enfeitar artistas da TV e lançou uma grife com essa temática.

Tecelagem indígena é toda trabalhada a mão - Foto Juracy XangaiTecelagem indígena é toda trabalhada a mão - Foto Juracy Xangai

“As pessoas sempre gostaram dos colares, pulseiras, brincos e adereços de cabeça feitos com miçangas coloridas, que destacam os desenhos da tradição indígena, mas com o uso delas em novelas da Globo o negócio virou moda e agora estão comprando muito mais”, explica Raimunda Pinheiro Kaxinawá, índia que toca a loja desde sua criação.

Raimundinha, como também é chamada, tem a loja cheia de peças que destacam a cultura local, mas lamenta que, apesar do discurso de apoio às causas ambientais e indígenas, poucos se mostram com disposição para pagar o preço justo pelas peças trabalhadas à mão.

“Comprar uma gusma (túnica) Ashaninka ou Huni kui não é barato, algumas pessoas até reclamam dizendo que é caro, mas quase ninguém entende que uma mulher levou muitos meses plantando o algodão, colheu as plumas, fazendo os fios e depois tecendo cada ponto com suas próprias mãos até que esta peça de arte ficasse pronta”, conta a índia.

Loja também oferece pulseiras e faixas de braço e de cabeça - Foto Juracy XangaiLoja também oferece pulseiras e faixas de braço e de cabeça - Foto Juracy Xangai

Artesanato exige conhecimento, paciência e capricho

Segundo Raimundinha, “fazer artesanato exige uma série de conhecimentos, paciência e capricho no trabalho até que fique pronto e isso tem um preço que nem todas as pessoas sabem avaliar”.

E é justamente essa pouca valorização do trabalho dos artesãos neste mundo industrial, em que máquinas produzem muitos metros de tecidos num minuto, que vem fazendo com que muitos artistas desanimem e simplesmente deixem de produzir.

“Está cada vez mais difícil abastecer a loja porque muitas índias se cansam de produzir e ganhar tão pouco pelo seu trabalho, mas há quem resista porque amam o que fazem”, completa a índia Kaxinawá.

Imãs de geladeira traduzem cenas e costumes amazônicos - Foto Juracy XangaiImãs de geladeira traduzem cenas e costumes amazônicos - Foto Juracy Xangai

A cerâmica nas panelas e instrumentos musicais dos índios Marubo, que também fazem as melhores redes tecidas em fios de tucum, ladeiam-se com as túnicas Ashaninka e as lanças Apurinã, cujas cestas e peneiras, feitas com fibras de arumã, se destacam pelo colorido de seus desenhos geométricos.

Os índios Huni Kui fazem da tecelagem colorida pulseiras, colares e túnicas, que encantam os olhos, como ocorre também com a beleza das pulseiras e colares feitos com miçangas de todas as cores. Assim, cada povo vai exibindo em cada lugar da lojinha o melhor de sua arte, que vem da floresta para embelezar o mundo. Mas além das miçangas, agora é o rapé tradicional entre os índios que ganha cidades como Rio Branco e mesmo São Paulo, onde já é frequência constante nas baladas e festas.

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