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Leandro Domingos, grande guerreiro na luta pelo comércio acreano

Escrito por Tião Maia em .

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Presidente da Fecomércio diz que pagamento de servidores em dia ajuda o estado a enfrentar a crise

O empresário Leandro Domingos é presidente da Fecomércio do Acre - Foto Rose Peres, Fecomércio-ACO empresário Leandro Domingos é presidente da Fecomércio do Acre - Foto Rose Peres, Fecomércio-AC

Formado em Economia e Direito, pela Universidade Federal do Acre (Ufac), Leandro Domingos Teixeira Pinto, acreano de Rio Branco, aos 62 anos de idade, é o que se pode chamar de um homem polivalente. Além de bem-sucedido empresário do ramo da venda de veículos, exerce pelo menos outros cinco cargos, que só fazem engrandecer sua reconhecida ficha de homem de negócios.

Leandro Domingos iniciou suas atividades empresariais em 1979, quando fundou a firma Comercial de Automóveis Ltda., onde exerce até hoje a direção da empresa. Durante este lapso de tempo, geriu as empresas Agropecuária Estela Ltda., Acre Veículos Ltda, Araúna Motos e TV Linda Som. Durante 10 anos, acumulando com suas atividades empresariais, atuou como assessor de conselheiro e diretor da Divisão de Administração e Finanças do Tribunal de Contas do Estado do Acre, no período de dezembro de 1995 a junho de 2005.

Participou da criação do Sebrae-AC como o primeiro superintendente da instituição, exercendo esta função no período de maio de 1991 a julho de 1992. No período de junho de 1992 a dezembro de 1994, exerceu o cargo de presidente da Companhia de Eletricidade do Acre.

Além de ser o atual presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre, também preside a Junta Comercial do Estado do Acre e as administrações regionais do Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de aprendizagem Comercial (Senac), além do conselho de representantes da Fecomércio-AC e do Sindicato do Comércio Varejista de Veículos de Rio Branco. Esses cargos são acumulados com o de conselheiro titular do Conselho de Representantes da Confederação Nacional do Comércio e de membro titular do Conselho Deliberativo do Sebrae-Ac e da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Acre, além do Conselho de Contribuintes da Secretaria de Estado da Fazenda do Acre.

Em meio à agenda lotada, o executivo tirou um tempo para a seguinte entrevista exclusiva ao jornal Expresso Amazônia. Ele fala da expectativa dos comerciantes locais em relação aos investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão, anunciado pelo governador Tião Viana até o final de seu mandato. Fala, também, da expectativa em relação às propostas de reformas do governo federal e sobre uma das maiores estruturas do Sesc na Amazônia, que é seu centro de lazer e turismo de Cruzeiro do Sul, a ser inaugurado no mês que vem. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O governador Tião Viana anunciou até o final de 2018 investimentos de R$ 1,5 bilhão. Até que ponto tais investimentos contribuem para o desenvolvimento do comércio e da atividade de serviços do estado?

A economia acreana ainda é muito dependente dos investimentos públicos em infraestrutura e até mesmo do pagamento de servidores. O recém anúncio feito pelo governo do estado, relativo a investimentos a serem realizados no período 2017-2018, é alentador e desperta no empresário a certeza de que dias melhores virão. O volume dos recursos anunciados é expressivo e pode gerar um incremento no comércio varejista e também para a indústria da construção civil, setor extremamente importante na reversão das tendências econômicas.

“O fato do governo do estado ter se mantido adimplente com os salários dos servidores públicos é um fator estabilizador dos negócios do comércio”

Governador Tião Viana fala na inauguração da nova sede da Fecomércio-AC em 2011 - Foto FecomércioGovernador Tião Viana fala na inauguração da nova sede da Fecomércio-AC em 2011 - Foto Fecomércio

Governos de estados mais desenvolvidos que o Acre, como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, estão atrasando o pagamento e outros compromissos com seus servidores outros compromissos, o que não ocorre no Acre. Como os comerciantes interpretam isso?
O setor comércio é muito importante no contexto da economia, notadamente em momentos de crise, uma vez que tem uma reação imediata a quaisquer movimentos conjunturais. E é com esta convicção que governo e empresários do comércio se alinham e buscam alternativas para sair da crise que vem assolando o país nos últimos anos. O fato de o governo do estado ter se mantido adimplente com os salários dos servidores públicos é um fator estabilizador dos negócios do comércio, uma vez que se estivesse ocorrendo o inverso, decerto o setor estaria mergulhado em uma crise muito mais profunda. Relativamente aos investimentos anunciados, apesar de não se destinarem diretamente ao setor comercial, serão aplicados em políticas diversas que ajudarão na promoção do desenvolvimento econômico do estado, com reflexos no comércio. Portanto, este setor termina, indiretamente, sendo contemplado com a circulação dos recursos na economia local.

Qual a expectativa dos comerciantes e prestadores de serviços em relação ao governo federal e suas reformas?
A Fecomércio entende que as reformas e algumas políticas econômicas secundárias adotadas pelo governo federal são muito positivas. Mesmo entendendo que as medidas carecem de um tempo para surtir os efeitos desejados, o setor comercial espera que a economia comece a reagir e os consumidores passem a confiar mais e voltem ao mercado. Evidentemente que muita coisa ainda precisa ser feita, notadamente no setor financeiro, onde as taxas de juros sejam reduzidas, os prazos de financiamento se alarguem e o crédito seja mais facilitado. Ainda hoje, se ver uma grande desconfiança do sistema bancário em relação à capacidade do cliente e das empresas solverem seus compromissos. Este comportamento já não se justifica. O nível de inadimplência vem caindo e o endividamento das empresas também.

O custo alto do dinheiro atrapalha o desenvolvimento da economia do país?
No Brasil, o nível de endividamento das pessoas físicas e jurídicas são muito inferiores ao dos países de primeiro mundo. Por isto, não é necessária tanta preocupação. Será de extrema importância, para a recuperação econômica, a aprovação das reformas trabalhista e previdenciária e que se inicie, de pronto, uma reforma tributária, que faça justiça tributária, reduza a carga, amplie a base e simplifique o processo de modo a facilitar ao empresário o processamento e recolhimento do imposto.

“O setor empregador sempre pleiteou menor rigor nas normas trabalhistas”

Leandro Domingos também é um bem-sucedido empresário do ramo da venda de veículos - Foto Rose Peres, FecomércioLeandro Domingos também é um bem-sucedido empresário do ramo da venda de veículos - Foto Rose Peres, Fecomércio

A reforma trabalhista, como a que o governo está propondo, é boa para os comerciantes?
A reforma trabalhista em análise no Senado, associada à terceirização já aprovada, vai melhorar, em muito, a relação de trabalho entre empregado e empregador. A flexibilização que se estar pretendendo, dará maior tranquilidade e possibilidade a que a empresa possa contratar mais mão-de-obra. O setor empregador sempre pleiteou menor rigor nas normas trabalhistas. Permitir que haja uma negociação mais aberta entre patrão e empregado é um grande avanço, com a segurança de que, o que for acordado em convenções coletivas, possam prevalecer sobre o legislado.

A reforma trabalhista não vai retirar direitos conquistados pelos trabalhadores?
O Poder Judiciário trabalhista precisa seguir a lei. Fazer justiça é conceder o direito a quem tem direito. O fato de sempre considerar que há uma parte mais fraca e que esta deve ser a beneficiada, tem gerado imensas injustiças contra empregadores, em face de versões fantasiosas de trabalhadores, sob orientações de alguns advogados. Este fato tem feito com que muitos empresários desistam de empreender. Acreditamos que, com a reforma trabalhista, se crie um novo conceito e melhore esta relação.

“Estes políticos tentam cometer um grande mal à nação brasileira. Quase sempre, nada conhecem do Sistema S”

Como a categoria pretende reagir caso se concretize o avanço de determinados setores, inclusive do governo federal, sobre o sistema S, no qual se incluem o Sesc e o Senac, que podem perder contribuições e até mesmo, em alguns casos, serem extintos?
O Sistema “S” são organizações privadas, custeadas por contribuições feitas por empresários e profissionais autônomos de todo o Brasil. Os recursos arrecadados são distribuídos para todos os estados brasileiros, dentro de um conceito de que os estados que mais arrecadam, contribuem para os estados menores, promovendo uma verdadeira distribuição de renda. O Sistema se fortaleceu ao longo dos anos, levando às pessoas que mais precisam saúde, educação, cultura, lazer, formação e capacitação profissional, entre outros benefícios. No Sistema “S”, existe um batalhão de pessoas trabalhando honorificamente, isto é, sem remuneração, a exemplo de presidentes das federações, de sindicatos, representantes de órgãos do Governo etc. Os recursos arrecadados são utilizados para custear suas atividades fins e servidores.

Sede da Fecomércio em Rio Branco (AC) - Foto Rose Peres, FecomércioSede da Fecomércio em Rio Branco (AC) - Foto Rose Peres, Fecomércio

Por que essas antigas tentativas de acabar com o Sistema “S”?
O Sistema “S” tomou forma e cresceu no Brasil e isto tem gerado revolta em muitos políticos que, vendo o volume de recursos arrecadados e a importância política das entidades, cresceram os olhos. E como não podem assumir o negócio, promovem campanhas para extinguir o Sistema e até reduzir os recursos arrecadados. Estes políticos tentam cometer um grande mal à nação brasileira. Quase sempre, nada conhecem do Sistema “S” e ainda pensam que o sistema é mantido com recursos do governo. É bom que se alertem aos políticos pró e contra a manutenção do Sistema que, se a arrecadação dos recursos for extinta, o sistema se acaba e não mais existira Sesc, Senac, Senat, Sesi, Senai, Sebrae, entre outros. Não acredito que alguém queira isto para o Brasil. As entidades de classes vão continuar defendendo a manutenção do Sistema “S” junto ao Congresso Nacional e conclamando a toda a população que pressione todos os parlamentares de seus estados a não votarem e tão pouco apoiarem matérias que versem sobre prejuízos ao Sistema, que é um patrimônio da sociedade brasileira.

O Sesc está montando uma de suas maiores estruturas na região Norte na cidade de Cruzeiro do Sul. Por que essa estrutura está sendo montada no interior e não na capital, já que aqui está a maior clientela do Sesc?
A força do Sistema “S” na ajuda aos estados de menor porte da União evidencia-se no Estado do Acre. Durante os últimos 10 anos, investimentos importantes foram realizados no Sesc e no Senac, ligados à Federação do Comércio, tanto em estruturas físicas, quanto em modernização tecnológica e de processo. Estas duas entidades atuam em áreas onde o governo não atua ou tem atuação modesta. Os investimentos continuam. O Sesc está construindo e inaugurará no dia 23 de junho deste ano, um moderno complexo de turismo e lazer na Cidade de Cruzeiro do Sul, uma estrutura moderna entre as quais a escola de formação profissional, com capacidade para 1.200 alunos.

O empreendimento será bom para a população do Juruá?
Não fosse a existência do Sistema “S”, estes benefícios jamais chegariam a sociedade, uma vez que estas atividades não são prioridades dos governos. O Sesc Priorizou estes investimentos na cidade de Cruzeiro do Sul pelo fato de ser o segundo maior município do Acre e ainda dispõe da presença do Sistema Fecomércio. Cruzeiro do Sul é um município em expansão e com a interligação rodoviária com Rio Branco e o resto do Brasil, intensificou suas atividades comerciais. Possui um potencial turístico muito significativo e o Sesc quer ajudar o município a se desenvolver e oferecer a seu povo uma melhor condição de vida.

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