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Tião Viana quer estado menos dependente até 2018

Escrito por Romerito Aquino em .

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Governador vai apostar no bambu, fruticultura, café, pecuária leiteira, mel e turismo ecológico nos próximos três anos

O bambu, o turismo ecológico, a fruticultura, o café, a pecuária leiteira, mel de abelha e turismo ecológico são as apostas que o governador Tião Viana faz para fortalecer ainda mais a economia rural do Acre nos próximos três anos.

Para o governador, a exploração dessas riquezas vai se juntar aos avanços já alcançados pelo estado nas áreas da piscicultura, suinocultura, avicultura, milho, banana, castanha do Brasil, borracha e da madeira de manejo para deixar “a economia acreana robusta e o Acre menos dependente até 2018”.

Nesta primeira entrevista do Expresso da Amazônia, o governador que vem industrializando o Acre de forma acelerada garante que até o final de seu governo haverá um salto significativo no desenvolvimento do estado, com efetiva melhoria da qualidade de vida de sua população.

“O aumento da produção e da renda dos produtores e dos trabalhadores assalariados amplia o mercado de insumos e de bens de consumo, o que impulsiona a economia. Todos os investimentos públicos e privados têm um poderoso efeito multiplicador na economia”, afirma Viana.

Leia, a seguir, a íntegra da entrevista que o governador concedeu ao jornalista Romerito Aquino para falar da economia rural do Novo Acre, da sua nova classe média, do que espera para o estado no futuro e de suas expectativas em relação à Amazônia e ao Brasil pelos próximos anos.

Foto: SecomFoto: Secom

O que foi feito até agora para fortalecer a economia rural acreana?

O governo do Acre tem como objetivo o crescimento econômico e a melhoria da qualidade de vida da população pela construção de uma economia sustentável. Para chegar a esse resultado na produção rural, o caminho foi valorizar a floresta e elevar o nível tecnológico e a produtividade da agropecuária. Foi também diversificar, aumentar a escala e a rentabilidade da produção. E esta estratégia prossegue. Para isto, foram aplicados vultosos investimentos em cadeias produtivas, inclusive na agroindústria, por meio de parcerias público-privadas-comunitárias e público-comunitárias.

O que falta para consolidar o fortalecimento dessa economia?

A estratégia de desenvolvimento do governo tem feito avançar consideravelmente a economia agropecuária e florestal, especialmente a piscicultura a suinocultura, a avicultura, o milho, a banana, a castanha do Brasil e a madeira produzida por manejo sustentável. Todas essas cadeias produtivas, envolvendo a industrialização, produzindo em alta escala e elevada produtividade, fazem uso das mais avançadas tecnologias. São imensos os avanços e a repercussão na economia do estado. O ritmo é satisfatório. A consolidação acontecerá em médio prazo.

Que outras riquezas agroflorestais podem ser exploradas para impulsionar a economia rural do estado?

Na floresta, a exploração sustentável do bambu é uma riqueza potencial para o uso na construção civil. O turismo ecológico aparece como outra oportunidade promissora. Na fruticultura, o abacaxi, a graviola, o mamão. Em cadeias produtivas já contempladas, como o café, o açaí, a banana, a melancia, a pecuária leiteira e o mel de abelha silvestre, serão desenvolvidas nos próximos três anos ações de maior alcance no fomento da produção.

Até o final do seu governo, será possível o Acre tornar-se independente do governo central?

Os investimentos na economia rural no futuro certamente não virão em proporção importante das receitas próprias do estado. Contudo, a crise econômica torna transparente o grau de dependência dos estados brasileiros em relação à União. A maioria dos estados brasileiros depende do governo federal no custeio e no investimento. O pacto federativo precisa ser revisto. A economia do Acre vai se tornar robusta e o estado menos dependente até 2018. Dezenove estados deixaram de pagar o mês de dezembro ou o décimo terceiro salário aos servidores. Foi forte a queda das transferências constitucionais. O Acre não atrasou o pagamento dos seus servidores.

O que deve ser feito a mais para se alcançar essa independência?

Uma revisão do pacto federativo que permita maior participação dos estados e municípios na arrecadação fiscal. Por força do seu crescimento econômico, o Acre vai se tornando menos dependente. No período entre 1999 e 2012 cresceu em média 5,41% ao ano, mais do que o crescimento médio regional e nacional. A presidente Dilma Rousseff tem sido justa na distribuição voluntária de recursos aos estados e municípios. Ainda assim, o custeio da gestão depende muito do Fundo de Participação dos Estados (FPE).

Foto: SecomFoto: Secom

Em que estágio de qualidade de vida se encontra hoje a classe média rural em formação no Acre?

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Acre cresceu 28,24% no período entre 2000 e 2010, tendo o fator longevidade um crescimento de 112%. Isto indica uma evolução da saúde da população. É razoável acreditar que a população rural teve significativa melhoria de vida nos cinco anos de meu governo pelo melhor acesso à educação, aos serviços de saúde e ao crescimento da renda. Leve-se em conta que o cálculo do IDH de 2010 ainda não inclui este período.

Quando se completará a formação dessa classe média rural?

A classe média rural já existe em diversos espaços e comunidades do estado. À medida que o governo avança com as políticas de desenvolvimento, nas diferentes regiões, ela vai se multiplicando. No Alto Acre, onde estão os grandes projetos de piscicultura, avicultura, suinocultura e milho e no Alto Juruá, espaço dos projetos da indústria florestal, da farinha e do empreendedorismo, a presença da classe média é mais densa.

O que virá depois?

Um salto no desenvolvimento do estado com efetiva melhoria de vida da população. O aumento da produção e da renda dos produtores e dos trabalhadores assalariados amplia o mercado de insumos e de bens de consumo, o que impulsiona a economia. Todos os investimentos públicos e privados têm um poderoso efeito multiplicador na economia.

O senhor vai encerrar sua gestão fazendo todas as coisas que pretendia fazer?

Até hoje fizemos mais do que imaginávamos. Aproveitamos todas as oportunidades e tivemos uma importante participação e apoio da população na gestão e nas grandes realizações do governo. Trabalhamos intensamente em todo o território do estado.

O que precisará ser feito no Acre pelos próximos governos?

O trabalho de qualquer governo não esgota as necessidades e carências da sociedade. O horizonte do desenvolvimento é infinito. Estamos dando gigantescos passos na direção do desenvolvimento sustentável e de uma economia verde na Amazônia. Creio que é da responsabilidade dos futuros governos dar continuidade a esse propósito.

O que o senhor aconselharia o próximo governo a fazer para robustecer ainda mais economia do Acre?

Uma diretriz de longo prazo na gestão do Acre é manter o objetivo estratégico do desenvolvimento sustentável. No contexto da Amazônia, a sustentabilidade do desenvolvimento é uma obrigação e a construção de uma economia verde um ato de responsabilidade dos governantes para produção de riqueza com preservação e conservação do bioma. É preciso manter a política de volumosos investimentos em parceria com a iniciativa privada e as comunidades de pequenos produtores. E também recorrer a fundos de investimentos. Temos que valorizar a floresta e intensificar a produção agropecuária para aumentar a produtividade e elevar a rentabilidade visando evitar o desmatamento.

O que se pode acrescentar para tornar a economia acreana uma das mais fortes da Amazônia?

Acho que o Acre tem um paradigma de desenvolvimento conforme a sua história e cultura próprias, a identidade do seu povo. De acordo com os seus recursos naturais, o critério de sustentabilidade, a criatividade e a capacidade empreendedora da sua população. Agora é o momento de formação da sua juventude, da ciência, da pesquisa, da tecnologia, da educação e da saúde. Na economia, devemos aumentar a escala da produção para inserir-se no mercado internacional e apostar na industrialização, especialmente na agroindústria.

O que a sua gestão fez será garantia para a Frente Popular continuar governando o Acre?

Nas gestões da Frente Popular do Acre, foram feitas realizações e mudanças importantes, profundas na vida social do Acre desde 1999. Colocou o Acre em novos rumos, construiu a infraestrutura do desenvolvimento, inclusive os dois grandes eixos rodoviários, um de integração interna e o outro de integração internacional. Fez valer o estado de direito e implantou os serviços sociais básicos. Criou e desenvolveu a economia com sustentabilidade. Operou uma verdadeira revolução na educação e na saúde. No meu governo, o Acre promove um salto no desenvolvimento sustentável. Justamente por esses feitos foi legitimada pela população em cinco sufrágios. Creio que temos, como no passado, aceitação da população.

Como o senhor pensa o Acre do futuro, nos próximos 20 anos, por exemplo?

Um estado desenvolvido com justa distribuição de renda e de benefícios. Uma economia verde sustentável. Uma agroindústria forte, gerando renda e emprego. Pelo esforço de pesquisa e inovação tecnológica, um amplo setor de produtos da biodiversidade. Alto nível de vida. Intenso intercâmbio comercial, científico, tecnológico e cultural com a América Latina, a Ásia e a Costa Oeste dos Estados Unidos. Um povo feliz.

Foto: SecomFoto: Secom

E a economia da Amazônia, o que fazer para torná-la mais forte?

O Acre é reconhecido internacionalmente como a unidade subnacional que mais avançou no desenvolvimento sustentável. Essa posição foi reiterada pelas instituições presentes na COP 21, ocorrida em Paris. Penso que o caminho da Amazônia é adotar a sustentabilidade como estratégia de desenvolvimento. A economia verde é o paradigma de desenvolvimento da Amazônia. O primeiro requisito é aumentar a produtividade e a rentabilidade da produção rural. E apostar na agroindústria.

A Amazônia não está a exigir mais atenção, cuidado e prioridade?

Na verdade, o país tem trabalhado com atenção à sustentabilidade do desenvolvimento. É protagonista em acordos internacionais que tratam do desenvolvimento sustentável e de questões ambientais. Contudo, falta consenso político para levar à prática a necessidade de uma produção sustentável. O Brasil é uma república federativa, uma democracia em que as decisões dessa ordem exigem convergência de opinião nos distintos poderes.

O que fazer para a economia brasileira voltar a crescer?

O Brasil teve, desde 2003, um período de desenvolvimento com crescimento econômico e distribuição de renda. Na era do presidente Lula, quase 40 milhões de pessoas ascenderam para a classe média. Agora, o país sofre os efeitos da crise econômica. É preciso rever a política monetária e fiscal e apostar no investimento público, inclusive em parceria com a empresa privada. Também é necessário fortalecer as políticas sociais. A Islândia fez este caminho e está fora da crise.

Quais são suas considerações finais sobre a economia rural do Acre?

O Acre não precisa apostar no desenvolvimento sustentável. Já o fez. Os resultados já testemunham uma estratégia bem-sucedida. Agora é necessário universalizar o alcance das políticas de desenvolvimento sustentável para consolidar os resultados do novo paradigma. Valorizar a floresta e continuar com uma agropecuária de alta escala seja empresarial, seja de cooperativas de pequenos produtores. Produção diversificada de alta escala, elevada produtividade e rentabilidade para evitar desmatamento, reduzir o espaço de cultivo com aumento da produção.

Exemplifique isso?

Um exemplo é a média de lotação de pastagens no Acre, que é de menos de duas cabeças de gado por hectare. Hoje, já existe fazenda em que a lotação se elevou para 13 cabeças por hectare. Assim, se evita o desmatamento e cresce a produção. A produção rural em crescimento estimula a agroindústria, a industrialização em geral, o comércio e os serviços. A economia do estado cresce sem ameaçar a floresta. Contudo, é preciso acelerar o afastamento de um embaraço. Adotar políticas capazes de retirar o país da crise.

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