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Sibá Machado: Saída para o Acre é investimento em ciência e tecnologia

Escrito por Tião Maia em .

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Secretário também manifesta preocupação com destino do amigo e ex-presidente Lula, “que pode até vir a ser assassinado”

Ele já fez de tudo um pouco. De trocador de ônibus nas ruas de São Paulo a agricultor no Pará, passando pelos embates como sindicalista, chegou ao Senado Federal pelo Acre em 2008, como suplente da então senadora e ministra de Meio Ambiente, Marina Silva e, já em 2015, exercia a liderança do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Federal.

Sibá diz que sua maior obra como parlamentar foi a aprovação do Código Nacional de Ciências e Tecnologia – Foto Tião MaiaSibá diz que sua maior obra como parlamentar foi a aprovação do Código Nacional de Ciências e Tecnologia – Foto Tião Maia

Sebastião Machado Oliveira, o Sibá Machado, nasceu em União, no Piauí, mas fez carreira política no Acre. É graduado em Geografia e mestre em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Acre (Ufac). Atual deputado federal por dois mandatos, está licenciado do cargo para ser secretário de Estado do Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis, e acha que o Acre está no caminho certo em busca de seu desenvolvimento e que dará um grande salto quando aplicar um ambicioso projeto de investimento em ciência e tecnologia.

Embora atento aos números sobre a economia local, Sibá Machado também não para de fazer política. Militante aplicado do PT, ele não nega que teme que o amigo e ex-presidente Lula seja assassinado. Sibá defende que Lula é vítima das grandes forças do capitalismo, que querem sua eliminação do processo político brasileiro, “com a cadeia ou com a eliminação física”. O secretário também fala sobre seus projetos de desenvolvimento para o Acre em entrevista exclusiva ao Expresso Amazônia. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Secretário, o senhor é um parlamentar que, a cada eleição, os chamados estudiosos da política insistem em dizer que não se elege, mas ao longo de dois mandatos, quando as urnas se abrem, lá está o seu nome entre os mais votados. Qual é o segredo e o que o senhor está pensando em relação ao futuro?

O meu projeto para o futuro imediato é a reeleição de deputado federal. Creio que estou preparado para o exercício de qualquer função no Parlamento. Eu me identifico com o parlamento e acho que colaborei e colaboro com o Parlamento, com o Brasil e com o meu Estado, em seis anos como senador da República e agora com dois mandatos de deputado federal.

Mas, para chegar a isso, o senhor perdeu quantas vezes?

Eu perdi em 1994, naquela chapa em que estava junto com o Marcus Afonso para federal e nós perdemos por apenas 14 votos. Eu fui o mais votado do PT naquela eleição mas perdi por falta de 14 votos. Em 98, perdi para deputado estadual por um pouco mais de cem votos. Mas depois ganhamos como primeiro suplente da senadora Marina Silva.

Há quem atribua a sua atual desenvoltura política à experiência vivida no Senado Federal. O senhor concorda com isso?

Olha, não é só o Senado. O Congresso é uma escola, como um todo. Mas o Senado exige um pouco mais de seus membros, porque lá o debate é mais calmo, digamos assim, porque lá você tem mais tempo para pensar, para desenvolver o raciocínio. A Câmara, onde os mandatos são de apenas quatro anos, é por natureza mais dramática, mais nervosa. Mas ambas as casas são autênticas escolas para qualquer brasileiro que tenha o privilégio de integrá-las.

Para Sibá, Acre pode se transformar num futuro celeiro de novos talentos para a área do conhecimento – Tião MaiaPara Sibá, Acre pode se transformar num futuro celeiro de novos talentos para a área do conhecimento – Tião Maia

E essa ideia de deixar o Parlamento para vir ser secretário de Estado? A gente sabe que o que está por trás é uma composição política para abrir espaço para um dos partidos aliados da Frente Popular, o PC do B, que tem no suplente Moisés Diniz, mas, afora a política, há algum projeto de desenvolvimento nesta sua vinda para o Acre?

Há nisso um pouco de cada coisa. Desde o segundo mandato do governador Tião Viana, eu criei a expectativa de colaborar mais diretamente com esse nosso projeto de governo, principalmente no que diz respeito ao desenvolvimento, em função do que fiz em todos esses mandatos que exerci. Além disso, minha formação acadêmica, como graduado em Geografia e depois no mestrado sobre Desenvolvimento Regional, fez com que eu quisesse ser mais presente no Estado na execução do nosso projeto de desenvolvimento. Vim então com meus sonhos, minhas ideias e sugestões que queremos transformar em projetos e aplicá-los, sob o entendimento político. Veja que nós estamos indo para o final do mandato do governador Tião Viana e, por isso mesmo, nós não temos mais que procurar grandes novidades e sim concluir o portfólio que foi iniciado. De novo, o máximo que temos que fazer é uma repactuação para concluirmos de forma competente aquilo que nos propusemos fazer e buscar a continuidade dos governos da Frente Popular.

Mas o que o senhor faria, hoje, na função em que está, para abrir uma janela para o desenvolvimento econômico e social do Estado?

A primeira resposta a esta pergunta é investir na Indústria. Não há saída para ninguém em qualquer lugar do mundo que não passe pela implantação do processo industrial. Quem põe dinheiro na mesa, quem cria oportunidades de trabalho, quem traz a tecnologia e a capacidade de desenvolvimento – tudo isso é o processo industrial. A agricultura, a pecuária, o comércio, isso tudo são bases. Mas quem dá o grande salto para o desenvolvimento é a indústria.

Mas o Acre tem condições de se industrializar?

Não só tem, como isso já está acontecendo. E está acontecendo porque o governador Tião Viana abraçou isso. A ideia de levar o Acre à industrialização está perfeitamente contemplada na cabeça do governador. Em qualquer lugar do Brasil hoje onde o Acre for debatido, o que as pessoas comentam não é o desenvolvimento na área da saúde, da educação ou em outros setores. O assunto em voga é o processo industrial que está sendo implantado no Estado.

Neste processo industrial, o que o senhor destacaria?

As agroindústrias de um modo geral, mas o carro chefe disso é o projeto da indústria do pescado, de peixe em geral, e do suíno. Isso está chamando à atenção do Brasil ao ponto de cinco governadores de Estado, de diferentes partidos, terem enviado seus homens de confiança e estudiosos do desenvolvimento virem aqui em busca do conhecimento do que está sendo feito nesta área. O governo central da Bolívia também veio aqui estudar o que está sendo feito. Nisso, o Acre já se torna uma referência apesar de toda a crise que estamos vivendo. Mas, ainda assim, passa uma grande esperança em relação ao futuro, principalmente em relação a um projeto que, modéstia à parte, eu ajudei a criar, que coordenei e ajudei a executar, que foi provocar o Acre a dar o salto no conhecimento, com tecnologia e inovação.

Em que área e em que momento se deu isso?

Deu-se na área acadêmica, mas isso irradia, inevitavelmente, para as empresas e para o setor produtivo.

O senhor poderia dar exemplos disso?

Sinceramente, eu não poderia aqui especificar nada porque foram muitas coisas. Eu carreei, por exemplo, muitas emendas para ajudar a desenvolver a Universidade Federal do Acre, com recursos para a construção de laboratórios, de biblioteca e para a criação da editora que faz as publicações, bolsas de estudos, para a criação de novos cursos, inclusive de mestrado. A Ufac, quando entrei lá, tinha apenas um mestrado, de Ecologia. Quando eu assumi o Senado, conseguimos na época R$ 2 milhões, quando o reitor era o professor Jonas Filho, e fomos para quatro cursos de mestrado. Hoje, com a administração do reitor Minoru Kimpara, são 12 cursos de mestrado, além de ter três de doutorado e não havia nenhum até a nossa ação na área. É claro que quem revolucionou a nossa universidade foi o Minoru. Ele é “O Cara”, o nosso JK no Acre, porque, daquela velha Universidade, ele fez outra e avançou 50 anos em cinco. É claro que a gente pôde ajudar e toda a minha, por assim dizer, influência em Brasília nesses anos todos de mandato no Senado e na Câmara Federal eu usei para ajudar a nossa Universidade. O Ministério número um da minha agenda política era o da Educação e Cultura, o Mec. É claro que ajudei também as prefeituras, o próprio governo do Estado, mas o centro das minhas atenções era a nossa Universidade e o Ifac (Instituto Federal do Acre).

E o que tem isso a ver com a política de desenvolvimento do Estado?

Tem tudo a ver. A minha maior obra como parlamentar nesses 12 anos em que estou no Congresso Nacional foi a aprovação do Código Nacional de Ciências e Tecnologia. É exatamente esta lei, que é boa para as universidades e boas para as empresas. Com isso, as empresas privadas e as universidades públicas e privadas podem trabalhar juntas, em pesquisas. As empresas podem ir para dentro das universidades e as universidades aturarem dentro das empresas. Isso é o que essa lei em resumo diz. Aqui no Acre nós vamos começar a trabalhar essa implantação em 2017. Vamos juntar as universidades públicas e privadas e as empresas para desenvolverem projetos. Um bom exemplo disso é que montamos aqui no Acre, faz pouco dias, o primeiro convênio em que essas instituições vão para dentro das empresas desenvolverem projetos de tecnologia para a produção de peixes, nas áreas de ração e para a melhoria do processo produtivo.

“No momento em que o Acre acordar para isso – tanto na área de produção, geração de emprego, mas também na área do conhecimento – nós podemos transformar este Estado num futuro celeiro de novos talentos para a área do conhecimento”

Concretamente, isso resultaria em que?

O Ifac tem doutores e pós-doutores na área. Então isso significa que podemos gerar patentes e novos conhecimentos. Isso é muito forte. Mas, paralelo a isso, vamos também fazer uma espécie de prospecção de novos talentos para a área da ciência nas escolas públicas. Agora mesmo estamos conseguindo, junto ao MEC, uma emenda de R$ 200 mil para que o Ifac preste um pré-Enem para mil jovens de Capixaba, Senador Guiomard, Rio Branco Bujari, Brasiléia, Xapuri e Porto Acre. Mil jovens que estão tendo aulas para irem para a Universidade. É um projeto em que pegamos filhos de famílias pobres que já entraram na Universidades, nesses cursos mais nobres – Medicina, Direito, Engenharia – e levo-os para darem os seus depoimentos. É uma estratégia em que buscamos meios para que Acre possa acordar para o desenvolvimento. No momento em que o Acre acordar para isso – tanto na área de produção, geração de emprego, mas também na área do conhecimento – nós podemos transformar este Estado num futuro celeiro de novos talentos para a área do conhecimento.

Segundo Sibá Machado, o pulo do gato para o conhecimento no Acre foi o Congresso da SBPC – Foto Tião MaiaSegundo Sibá Machado, o pulo do gato para o conhecimento no Acre foi o Congresso da SBPC – Foto Tião Maia

E quando isso pode acontecer? Está próximo?

Já está acontecendo. O pulo do gato foi aquele congresso da SBPC, que aconteceu aqui no Acre. O Tião Viana criou o Instituto de Matemática e Filosofia do Estado, no âmbito da Secretaria de Educação. Criou também o Instituto de Idiomas. Isso já começou a gerar frutos. Particularmente, estou tentando fazer com que os prefeitos eleitos copiem este modelo. Aos prefeitos do meu Partido, tenho incentivado que eles trabalhem além de pagar a folha de pagamento, recolher o lixo, tapar buracos, etc. Imagino que eles podem também contribuir com esse choque de conhecimento que estamos buscando. Já acertei com o prefeito reeleito Marcus Alexandre e com o deputado Moisés Diniz, que está respondendo pelo mandato, uma emenda para a secretaria municipal de Educação para começarmos a prospectar talentos em escolas municipais, para prospectar ciência nas crianças das escolas municipais. Nesta Secretaria, concluímos que a palavra Desenvolvimento tem que ser mais forte que Indústria e Comércio – embora uma não se dissocie da outra. E Desenvolvimento, na acepção do termo, passa pela Educação, pelo conhecimento em Ciência e Tecnologia. Nós precisamos investir nisso agora, com muita força.

O senhor é, acima de tudo, um político. Nesta condição, queria que fizesse uma breve análise do atual momento vivenciado pelo Brasil.

Vejo o país com muita preocupação porque sei que as forças que não querem o desenvolvimento social do nosso povo estão dispostas a tudo para destruir nosso projeto, o projeto defendido pelo PT e encarnado pelo presidente Lula. Eu viajei o mundo ao lado do Lula, como senador e como deputado federal. Pude ver de perto o destemor com o qual ele defende nosso país e os nossos interesses e os interesses dos mais pobres do mundo todo. Neste momento, estamos vivendo um golpe muito forte contra a democracia e contra o Partido dos Trabalhadores e, principalmente, contra o ex-presidente Lula. Temo, sinceramente, pela integridade física dele. Penso que se essas forças não conseguirem prender o ex-presidente, vão tentar eliminá-lo fisicamente, matando-o, tudo para tirá-lo da disputa em 2018. O Brasil vive um momento muito perigoso.

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