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Banco do Brasil: Acre tem a melhor governança de gestão ambiental do Brasil

Escrito por Tião Maia em .

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Funcionário do Banco do Brasil desde os 15 anos de idade, onde começou a trabalhar como menor aprendiz, o gaúcho de Santiago, Antônio Carlos Soares, de 52 (há 37 anos, na instituição, portanto), conhecido pelos amigos e no local de trabalho como “Toninho”, está no Acre há 11 meses. É o atual superintendente regional da instituição. Já rodou o país como administrador do Banco, atuando em todas as regiões brasileiras, percorrendo seis estados e 13 cidades, nos últimos 20 anos. Dos cargos exercidos dentro do Banco, destaca-se a condição de superintendente regional em São Paulo e de superintendente regional de Governo, atendendo os três poderes da República, em Brasília.

Antônio Carlos comanda o BB no Acre há 11 meses – Foto: Alexandre Carvalho, do Expresso AmazôniaAntônio Carlos comanda o BB no Acre há 11 meses – Foto: Alexandre Carvalho, do Expresso Amazônia

Formado em Ciências Contábeis e pós-graduado em Gestão de Negócios Sustentáveis e em Gestão de Negócios e Relacionamento com Governos, ele diz que o Acre é o Estado brasileiro que melhor aprendeu a lição de que é possível progredir nos negócios sem a necessidade de novas agressões ao meio ambiente. O Banco do Brasil, aliás, está dentro do parque da Expoacre, com todas as suas linhas de serviços, para atender os expositores e seus clientes. Na entrevista a seguir, ele fala sobre os conceitos e anuncia que a instituição dispõe de mais de R$ 120 milhões de crédito para a safra 2016/2017, à disposição dos pequenos, médios e grandes produtores acreanos, tanto para a área da agricultura quanto para pecuária. A seguir, os principais trechos da entrevista:

A instituição Banco do Brasil anunciou recentemente dispor de mais de R$ 120 milhões para financiar o agronegócio, agricultura e pecuária, no Acre. Isso é fato mesmo? Quem tiver interesse já pode acessar o dinheiro?

Antônio Carlos Soares – Não só existe o dinheiro como está alocado no nosso orçamento e já pode ser acessado por quem tiver interesse, inclusive já fizemos liberações de parte desses recursos para a atual safra. São R$ 120 milhões que estão no orçamento e, se por ventura, a gente extrapolar a quantia que está no orçamento, recorremos ao tesouro do Banco do Brasil para acessarmos mais recursos. Temos capacidade para até dobrarmos esses recursos, se for esta a necessidade. Ao Banco do Brasil, não interessa manter dinheiro no tesouro.

Esse dinheiro se destina a financiar o que? Agricultura ou pecuária?

Antônio Carlos Soares – Tanto a agricultura como também a agropecuária, pegando ainda as cadeias produtivas como a avicultura, piscicultura e todos os demais projetos como a do Dom Porquito, Acreaves e Peixes da Amazônia. Financiamos ainda a agricultura, tanto do pequeno, médio e grande produtores, a agricultura empresarial como chamamos, além da pecuária. Nossa pecuária é consolidada, mas ela precisa de investimentos.

Esses R$ 120 milhões são para financiamentos só para 2016?

Antônio Carlos Soares – Para nós, a safra começa em julho do ano anterior e vai até junho do ano seguinte. Temos recursos então para atender esse período, que se inicia agora e vai até o ano que vem. Recursos para atender o pequeno, médio e o grande produtor. Tivemos um incremento de R$ 20 milhões em relação aos recursos do ano passado, dinheiro que foi todo acessado e agora estamos partindo para colocar mais R$20 milhões em cima disso. Eu imagino que vamos colocar mais porque, para mim, R$ 120 milhões é piso, é dinheiro inicial.

O dinheiro existe, mas, no entanto, há muitas reclamações, de produtores e até mesmo de governos (já vi até governadores reclamando disso) de que os bancos exigem muitos documentos e garantias para poder liberar o dinheiro. O que o senhor diria em relação às reclamações?

Antônio Carlos Soares – Eu não diria que é burocracia. No nosso entendimento, burocracia é o que atrapalha, que emperra e cria dificuldades e o que acontece não é isso. Isso acontece porque nós, o Banco, somos técnicos e trabalhamos dentro da lei. Nós somos – e não escondemos isso – legalistas. A legislação brasileira, do ponto de vista ambiental e do agronegócio, é bem definida e de regras bem claras, que precisam ser cumpridas. O Estado do Acre é o local de todo o país onde temos a melhor governança de gestão ambiental e de desenvolvimento sustentável do país. O que há de mais organizado nessa área está aqui. E isso demanda muito cuidado de nossa parte com a concessão do crédito para que forneçamos dinheiro de forma responsável para que a pessoa que o receber possa crescer e aumente sua produtividade de acordo com a lei. Nós queremos fornecer dinheiro para que as pessoas possam enriquecer e não empobrecer. E o fato de fazermos a concessão de crédito de forma bem-feita faz com que, quando é necessário alguma averiguação, uma auditoria em algum segmento, a pessoa fica tranquila. Fazer negócio com o Banco do Brasil é uma forma segura. Nós estamos trabalhando agora para diminuirmos o tempo-cliente. Ou seja, a pessoa entregou o projeto, os recursos sejam liberados o mais rápido possível. Seguir a legislação é uma questão técnica e que é uma condição boa para o produtor porque o Banco trabalha com o crédito associado à produção e assistência técnica. E isso nós exigimos mesmo, porque, se eu não trabalhar assim, poderei levar dinheiro a um produtor para empobrecê-lo e não contrário.

Mas, apesar dessas observações, as pessoas conseguem acessar o dinheiro?

Antônio Carlos Soares – Claro que conseguem. Costumo dizer que o dinheiro é para enriquecer pessoas e que a terra não tem segundo ou terceiro andar. O que deve ser feito para melhorar a situação tem que ser ali, sobre a terra, para as pessoas aumentarem sua produtividade no mesmo espaço territorial.

O índice de inadimplência é alto? As pessoas pagam o dinheiro que pegam emprestado?

Antônio Carlos Soares – Pagam sim. O agronegócio, historicamente, no Banco do Brasil, tem o menor índice de inadimplência de todas as nossas operações. São operações que seguram não só a balança comercial como também o índice de adimplência do país, no mercado como um todo. No Acre os números trilham o mesmo caminho. Com base nos números da safra anterior, o Acre melhorou muito os índices de sua adimplência, principalmente na agricultura familiar, com percentual de inadimplência na casa dos 2 por cento e alguma coisa, enfim, menos de 3 por cento.

Essa inadimplência, embora pouca, qual é a origem dela?

Antônio Carlos Soares – São fatores diversos, mas muito pouco por má fé ou desvios de finalidade. No Acre, estamos trabalhando o processo de desenvolvimento baseado no fato de que, se as pessoas têm dinheiro para tocar uma lavoura, uma atividade capaz de girar negócios, isso é custeio. Se a pessoa pega o dinheiro para comprar um trator, isso é investimento. Mas, as pessoas têm uma tendência de se voltar para a linha do investimento porque há carência para começar a pagar, com cerca de dois anos.

Em relação ao dinheiro que está sendo oferecido agora, qual o é o tempo que as pessoas têm para pagar?

Antônio Carlos Soares – Quando é para custeio, é para o período da safra. Um ano. Quando é para investimento, aí vai depender do projeto, que pode chegar até a dois anos.

O Acre está vivendo essa experiência de melhorar seus pastos para aumentar o número de animais por hectare de pasto, saindo da condição de no máximo duas UA (Unidade Animal), para sete, oito ou dez (já ouvi falar que já há fazendeiros trabalhando até com 11 animais por hectare). O Banco do Brasil financia isso?

Antônio Carlos Soares – Hoje, na área do agronegócio, é a principal linha de atuação nossa, inclusive nós precisamos crescer aplicando o conceito do ABC (Agricultura de Baixo Carbono). A pecuária precisa disso. Isso é visível na agricultura também. Quando a gente olha duas propriedades – uma que trabalha do conceito do ABC e a outra não – a diferença positiva é visível. Quem trabalha com o ABC, a cerca é bonita, bem-feita, o gado gordo, bem alimentado. Quem trabalha com o tradicional, a cerca é caída, detonada e o gado, magro. A ABC não é burocrática. A vantagem é que trabalha com o conceito de respeito ao meio ambiente. E o que é preciso? Que a área tenha um trato cultural, com boa pastagem, isso vai se refletir na qualidade do animal e em aumento de ganhos. Já há, sim, quem trabalhe até com 11 animais por hectare, segundo estou informado. Mas se a gente chegar a um padrão de sete animais por hectare, teremos feito uma revolução na pecuária do Acre. O Acre, hoje, já é o décimo quarto estado brasileiro na pecuária do país. Significa dizer que no plantel bovino do país, o Acre é o décimo quarto Estado.

Mas qual a vantagem disso se não há reflexo junto à população, uma vez que o preço da carne bovina continua muito elevado?

Antônio Carlos Soares – É claro que existem muitos gargalos. Acabamos de ver numa apresentação da Friboi durante o Rally da Pecuária, evento que o Banco do Brasil apoia, num gráfico em formato de pizza que eles têm, que o melhor boi do Brasil, em qualidade e textura da carne, aquele que é considerado o boi ideal para o abate, é o do Acre. No entanto, o mesmo gráfico mostra que o boi de baixa qualidade, bem abaixo daquilo pretendido pelos frigoríficos, também é o do Acre. Precisamos avançar, então, para resolver isso.

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