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Acre já produz a melhor banana da Amazônia

Escrito por Romerito Aquino (*) em . Publicado em Especiais

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Exportações do estado crescem de maneira significativa para Rondônia, Amazonas e Mato Grosso

A banana acreana é embarcada no Porto do Cai N'Água, em Porto Velho (RO), para o mercado consumidor de Manaus (AM) - Foto Diário da AmazôniaA banana acreana é embarcada no Porto do Cai N'Água, em Porto Velho (RO), para o mercado consumidor de Manaus (AM) - Foto Diário da Amazônia

“A terra das bananas de boa qualidade na região Norte”. É assim como vêm sendo classificadas as bananas prata, maça, comprida e de outras espécies produzidas no Acre pelos estados vizinhos da Amazônia Ocidental brasileira.

O título acima faz parte de reportagem do jornal Diário da Amazônia, de Porto Velho (RO), que fala das bananas acreanas exportadas tanto para Rondônia, quanto para os vizinhos estados do Amazonas e do Mato Grosso, despertando grande interesse dos consumidores dos três estados.

Segundo o jornal rondoniense, a boa qualidade das bananas do Acre se deve ao apoio da tecnologia que a Embrapa desenvolveu no estado, fazendo com que a bananicultura conquistasse espaços importantes entre os pequenos produtores rurais de seus 22 municípios, que ocupam uma área equivalente à metade da área de Rondônia.

Página da reportagem do jornal rondoniense Diário da Amazônia - Foto DivulgaçãoPágina da reportagem do jornal rondoniense Diário da Amazônia - Foto Divulgação

Citando levantamento da Embrapa, a reportagem enaltece que a banana é a cultura agrícola mais cultivada no Acre, com produção anual da fruta chegando a 77 mil toneladas, numa área total de 7,3 mil hectares. Mesmo sendo um dos maiores produtores agrícolas do país, Rondônia produz anualmente 78,2 mil toneladas de banana em área de 7 mil hectares de terra.

O jornal rondoniense foca sua reportagem no município de Acrelândia, na divisa com Rondônia, um dos maiores produtores de banana do Acre. E cita o caminhoneiro Manoel Marinho, que cobre o trecho de 428 quilômetros entre Acrelândia e Porto Velho quatro vezes ao mês, de janeiro a novembro de cada ano, transportando entre 16 e 18 toneladas de bananas.

Em Porto Velho, Marinho embarca a banana acreana no porto do Cai N’Água para vendê-la, transportando-a pelo rio Madeira, no interior do Amazonas e em sua capital, Manaus. Todas as quartas e quintas-feiras, o porto rondoniense se transforma no grande vai-e-vem de passageiros e estivadores embarcando a banana acreana e outras frutas produzidas em Rondônia.

A banana é uma das frutas mais utilizadas na culinária acreana - Angela Peres, Secom-ACA banana é uma das frutas mais utilizadas na culinária acreana - Angela Peres, Secom-AC

Além da banana acreana, também embarcam rumo ao interior e à capital Manaus várias toneladas de tomate, abóbora e tangerina, produzidos nos municípios rondonienses de São Felipe, Santa Luzia, Alto Alegre dos Parecis e Alta Floresta, produtores de hortifrutigranjeiros.

Casal comercializa para Manaus e Cuiabá

No final do ano passado, o governador Tião Viana recebeu em seu gabinete a visita do casal Aguinaldo Jácome e Benedita Martins, de Acrelândia, que conseguiu desenvolver o próspero negócio de vender bananas para as capitais de Manaus (AM) e Cuiabá (MT).

Segundo o casal, um comerciante de Cuiabá ficou tão impressionado com a qualidade do produto que foi do Acre para a sua cidade que decidiu conhecer pessoalmente a produção, deixando claro que iria comprar tudo o que os produtores de Acrelândia produzissem de banana.

O combate às pragas de banana é uma das preocupações do governo acreano - Foto Diego GurgelO combate às pragas de banana é uma das preocupações do governo acreano - Foto Diego Gurgel

“A banana do Acre é um sucesso em Cuiabá. As pessoas de lá estão gostando demais do produto que estamos mandando, inclusive o comprador afirmou que ela é de qualidade, e nós acreditamos que a partir desta safra, as vendas vão melhorar”, contou Benedita Martins.

Por sua vez, Aguinaldo Jácome agradeceu ao governador o apoio que a sua gestão vem dando aos produtores acreanos, principalmente através do combate a pragas que periodicamente ameaçam os plantios de bananas no estado. Jácome pediu ao governador para pensar na construção de um porto no município, que ajude a comunidade a escoar a produção.

Na ocasião, o secretário adjunto de Estado de Agricultura, Fernando Melo, assinalou que “o mercado de banana está gerando renda para os nossos produtores”, principalmente os de Manoel Urbano, que são os principais fornecedores, junto com Acrelândia. “É uma banana produzida em geral na beira do rio, e quando chegar o inverno amazônico, com as chuvas, nós vamos alavancar, e muito, a produção”, contou Melo.

Bananas são transportadas por todo o país - Foto DivulgaçãoBananas são transportadas por todo o país - Foto Divulgação

Tudo começou na produção de látex

Raul Gonçalves, produtor de banana em Acrelândia, comercializa cerca de 60 mil cachos de bananas por safra, que correspondem a 18 toneladas por ano, o que gera um faturamento da ordem de R$ 600 mil, dependendo do preço de mercado.

Chegando ao estado em 1986 em busca de melhores condições de vida, Gonçalves trabalhou inicialmente com a extração de látex, mas foi a cadeia produtiva da banana que lhe permitiu alcançar a autonomia e ascensão econômica e social no município de Acrelândia.

“Chegamos numa situação financeira muito difícil. Passei um ano riscando seringa (colhendo látex), peguei esse dinheiro e investi em banana. Comecei com 1.600 pés e, paralelamente, peguei outros trabalhos para continuar investindo. Apesar das variações do comércio, nunca parei de plantar. Para o ano que vem, quero ter 100 mil pés cultivados”, assinalou o produtor.

Governador Tião Viana recebe família acreana que vende bananas para Manaus e Cuiabá - Foto Sérgio Vale, Secom-ACGovernador Tião Viana recebe família acreana que vende bananas para Manaus e Cuiabá - Foto Sérgio Vale, Secom-AC

Com investimentos da ordem de R$ 1 milhão, em sua propriedade, o hoje bem-sucedido empresário exporta toda a sua produção de banana para os estados do Amazonas e do Mato Grosso, com a cultura da banana virando bom negócio para a família. Os dois filhos auxiliam o pai na administração, que já gerou mais quatro novos postos de trabalho, chegando a empregar, no período de colheita, mais 15 pessoas de forma temporária.

O empresário Raul Gonçalves também atua na criação de gado de corte e na produção de café, mas o carro-chefe da sua renda familiar acabou sendo mesmo o cultivo da banana. “Resolvi investir em gado também, mas se eu não tivesse a banana, o gado não renderia. Se dependesse só do gado para sobreviver, eu viveria, mas não cresceria”, assinalou Gonçalves, em reportagem da Agência de Notícias do Acre (ANA).

Os 400 cachos que o produtor Pedro de Araújo, do rio Muru, retirou de seu bananal foram vendidos em Tarauacá (AC) - Foto Angela Peres, Secom-ACOs 400 cachos que o produtor Pedro de Araújo, do rio Muru, retirou de seu bananal foram vendidos em Tarauacá (AC) - Foto Angela Peres, Secom-AC

De acordo com Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), a banana é o quarto produto mais consumido no mundo, sendo cultivada em quase todas as regiões tropicais do planeta. No Brasil, a fruta tem forte aceitação e grande consumo, não apenas como fonte de sais minerais e vitaminas, mas como fonte de complementação calórica na dieta alimentar.

Segundo a ANA, no Acre, a cultura da banana tem tido um papel expressivo na produção agrícola, principalmente pelas facilidades de produção, geradas pelo clima e incentivos produtivos do governo do Estado. A maioria parte da produção de banana acreana é absorvida em seu próprio mercado interno, sendo o restante exportado para Rondônia, Amazonas e Mato Grosso.

(*) Com José Luiz Alves (Diário da Amazônia), Samuel Bryan e Maria Meirelles, da Secom-AC.

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