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Quando explosão é sinônimo de sabor na Amazônia

Escrito por Tião Maia em . Publicado em Especiais

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Café Granada começa a se expandir no Acre e é exemplo do progresso econômico e social no meio rural do estado, diz Tião Viana

Governador Tião Viana liderou comitiva que visitou os produtores de café do Ramal Granada - Foto Gleilson Miranda, Secom-AC

“Sairei do governo de cabeça erguida e certo do dever cumprido, principalmente no que diz respeito à produção rural. Nós cumprimos aquilo que prometemos em campanha: acabamos com a miséria no setor rural do Acre”. O discurso foi feito, na semana passada, pelo governador Tião Viana, no ramal Granada, uma localidade distante 90 quilômetros de Rio Branco, pela BR-364, e mais 12 km de estrada de barro, no município de Acrelândia, onde vive uma comunidade cuja atividade principal é a produção de café.

Na região, 20 famílias de agricultores plantam e processam o café – passando pela torrefação e empacotamento – que já é exportado para a capital e outros municípios acreanos. E os cafeicultores, confiando na qualidade do produto, já começam a buscar outros mercados, como o de Porto Velho, em Rondônia,

O café leva o nome do ramal em que é produzido – Granada. Na definição clássica da língua portuguesa, granada é um artefato bélico que contém explosivo e que se lança com a mão ou por meio de arma de fogo contra os inimigos. É, portanto, uma arma de guerra.

O nome do café Granada sugere uma exploração de grande sabor - Foto Gleilson Miranda, Secom-AC

Em outra definição, é um termo que vem do latim “grantus” e que significa “grão”. Mas, no Ramal Granada, o termo faz parte de uma marca do café de altíssima qualidade. Explosão, por ali, só para realçar o sabor. “Café Granada – uma Explosão de Sabor”, define a marca do produto.

O nome do ramal em que o café é produzido, que faz parte do Projeto Bonal e do Assentamento “Pedro Peixoto”, é uma referência aos tempos em que as dificuldades dos produtores ali assentados transformavam a vida e a localidade em condições em nada diferentes dos acampamentos de refugiados em países em tempos de guerra.

Experiência de estados grandes produtores de café

“A vida aqui era mesmo uma guerra, uma tragédia. É talvez por isso que o ramal se refira a um explosivo e nós batizamos o café com o nome da localidade em que o produzimos”, diz Ednaldo Farias da Silva, 39 anos, casado, pai de dois filhos, que é o presidente da Associação de Produtores Novo Ideal, que mora ali há 27 anos e que planta café desde que era criança, no estado do Espírito Santo.

Secretários Sibá Machado e José Reis com produtores de café do Ramal Granada – Foto Tião Maia

Ednaldo é dono de 74 hectares de terra no Ramal Granada e planta café em 7,5 hectares. Seu tio, Araújo Farias Filho, de 53 anos, que planta café desde que era criança, também Espírito Santo, tem mais oito hectares plantados. “Minha família planta café desde os tempos do meu avô”, assinala Araújo, capixaba de nascimento, assim como o sobrinho e o restante da família.

Dados de uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), em parceria com o Consórcio Pesquisa Café, revelam que os estados que mais plantam café são Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Rondônia. O maior produtor do país vem a ser exatamente Minas Gerais, seguido pelo Espírito Santo, com São Paulo em terceiro lugar, Rondônia em quarto lugar e o quinto, o Estado da Bahia. É por isso que, no Ramal Granada, há cafeicultores de outros estados, além do Espírito Santo.

Vanderlei de Lara, de 45 anos, é paranaense de uma cidadezinha chamada Geniópolis nos arredores do município de Campo Mourão, região centro-oeste do Paraná. Ele chegou ao Ramal Granada há 19 anos e adquiriu 112 hectares de terra na região, dos quais pelo menos 12 estão ocupadas com o plantio de café. Situação parecida com a do paulista, de São José José dos Campos, Celso Timpurim Caffer (coincidência do sobrenome com a atividade do produtor), de 45 anos, que chegou à região há dez anos. Ele também é dono de 12 hectares de café plantado.

Vanderlei de Lara é um dos produtores de café do Ramal Granada – Foto Tião Maia

Estado ainda importa 70% do seu consumo

Alguns dos cafeicultores do Ramal Granada já trabalham com a tecnologia de produção do café com irrigação. “O café irrigado simplesmente vai levar à duplicação da produção na região”, diz o secretário de Agricultura e Pecuária (Seap), José Carlos dos Reis, que acompanhou o governador Tião Viana e outras autoridades e populares na visita aos produtores do Ramal Granada.

Na localidade, estão plantados pelo menos 1.500 hectares de café, o que faz da região responsável pela maior parte de todo o café produzido e consumido no Acre. O restante, cerca de mil hectares, está distribuído nos municípios de Manuel Urbano, Feijó e Brasiléia. Segundo José Reis, o Acre importa ainda 70% do café que consome, apesar da boa produção, como a do ramal Granada. Para suprir o consumo local, deixando o estado autosuficiente, seria necessário, segundo Reis, o plantio de mais dez mil hectares de café.

A cadeia do café no Acre foi reiniciada em 2011, no início do primeiro mandato do governador Tião Viana, através da então recém-criada Secretaria de Estado de Pequenos Negócios, cujo primeiro secretário foi exatamente José Carlos Reis. “Nós percebemos, lá atrás, que o Acre já havia plantado muito café no passado. O que fizemos foi implantar um projeto para retomar esta atividade e, de lá para cá, já distribuímos mais de um milhão de mudas e estamos colhendo agora o resultado daquele esforço”, acrescenta Reis.

Produtores de Acrelândia vivem um bom momento da cultura do café - Foto Gleilson Miranda, Secom-AC

O cafezinho é a bebida da preferência nacional, a segunda mais consumida no País, perdendo apenas para a água. Pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), em parceria com o Consórcio Pesquisa Café e coordenado pela Embrapa Café, realizada no período de novembro de 2013 a outubro de 2014, mostra que o consumo só cresce não somente no Brasil, mas no mundo todo.

No período pesquisado, o consumo interno de café beneficiado no Brasil passou de 20 milhões e 85 mil de sacas de 60 kg para 20 milhões e 333 mil sacas. Assim, o consumo per capita também aumentou ligeiramente no período, subindo de 4,87 kg/habitante/ano para 4,89 kg/habitante/ano de café torrado e moído.

É de olho nesses números que a Cooperativa dos Cafeicultores Familiares Novo Ideal e o Governo do Estado, através da Seap, estabeleceram a parceria que está permitindo que o Café Granada seja plantado, torrado e empacotado lá mesmo no ramal. O benefício está sendo possível porque a Seap e a Câmara Municipal de Vereadores de Acrelândia se articularam para implantar lá no Granada um galpão, que era uma espécie de herança maldita da época da administração do então prefeito Tião Bocalom.

Café Granada está nas cozinhas dos agricultores acreanos – Foto Tião Maia

O galpão seria utilizado na plantação de algodão em Acrelândia, um dos muitos projetos da era Bocalom – prefeito do município em três oportunidades – que não deram certo. “A Câmara de Vereadores de Acrelândia, mesmo com parlamentares da oposição, nos ajudou e conseguimos trazer o galpão para cá”, lembra José Reis, enquanto assistia os equipamentos em pleno funcionamento. Parte do equipamento é um caminhão da Seap que dispõe de meios para descascar o café em grãos na propriedade do produtor. Isso permite fazer com que a saca de café de 40 quilos, que em casca era vendida por cerca de R$ 80,00, depois de beneficiada chega até a R$ 450,00.

Lideranças elogiam avanços do setor cafeeiro

“Isso é um avanço sem precedentes no Acre”, diz o secretário Sibá Machado, deputado federal licenciado e que, quando ainda estava na Câmara, foi o autor de uma emenda de quase R$ 2 milhões, com os quais a Seap adquiriu os equipamentos que está permitindo a ajuda do governo do estado aos produtores e café.

“Essa é a nossa luta e união pelo Acre. Estamos fechando um investimento de mais de um milhão e duzentos mil pés de café, não tem nenhum precedente desse esforço no estado. E a nossa meta é um alcance de dois milhões de pés de café como atividade de governo para fortalecer a produção no Acre”, destacou Tião Viana, ao participar da solenidade de início da colheita no ramal Granada, na semana passada.

Produtor Edinaldo Farias, presidente da associação dos produtores de café – Foto Tião Maia

O deputado estadual Lourival Marques diz que ações como essas demonstram o compromisso do governo em tornar o Acre um estado forte e produtivo. “Estamos celebrando o início da colheita e os investimentos que o governo tem feito. Isso demonstra que o Estado pensa na agricultura como um todo e leva condições para o produtor familiar”, assinala o parlamentar.

O prefeito de Acrelândia, Ederaldo Caetano, afirmou que o apoio do governo é fundamental para a cultura do café em seu município e agradeceu ao governador Tião Viana e ao secretário José Reis pelo empenho e consolidação do programa cafeeiro na região. “Estamos felizes por ter um governo que acredita e investe na agricultura. Investe na produção com mudas a mecanização. Acrelândia hoje é referência no estado em nível de café”, diz Caetano.

Cesar Alpena, o Pininho, é o produtor rural mais antigo da região. Ele testemunhou sobre o dia a dia nas lavouras e agradeceu ao governo pelo trabalho que vem sendo desenvolvido nas comunidades. “Estou aqui para agradecer ao governador e a todos que nos ajudam a desenvolver esse trabalho, que vai desde a distribuição das mudas, da mecanização ao uso do maquinário. Isso prova que o governo acredita na gente e nos dá oportunidades”, assinala o produtor.

Secretário José Reis e o produtor paulista Celso Timpurim na cafezal irrigado – Foto Tião Maia

O gerente do Banco da Amazônia em Acrelândia e Plácido de Castro, José Cordeiro, que fez parte da comitiva do governo do estado na visita aos produtores rurais da região, anunciou que, para os produtores dos dois municípios, a instituição dispõe de mais de R$ 15 milhões em linhas de crédito. Esse dinheiro é destinado ao desenvolvimento da produção rural. “O Banco da Amazônia continua de portas abertas e disposto a parcerias que visam fortalecer a produção do café nessa região”, diz Cordeiro, admitindo que o valor, a depender das necessidades dos produtores, pode até aumentar.

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