Imprimir

Árabes se interessam pelas cadeias produtivas do Acre

Escrito por Romerito Aquino (*) em . Publicado em Especiais

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn

Presidente da Agência de Negócios do Acre, Inácio Moreira, inicia no Golfo Pérsico tratativas visando parcerias futuras com Arábia Saudita, Kuwait, Catar e Emirados Árabes

Inácio Moreira conversou com vários sheiks árabes em sua viagem ao Golfo Pérsico - Foto DivulgaçãoInácio Moreira conversou com vários sheiks árabes em sua viagem ao Golfo Pérsico - Foto Divulgação

Após conquistar alguns dos principais mercados brasileiros, o peruano na Semana Santa deste ano e o europeu, na grande feira internacional de pescados da Seafood Expo Global, realizada em abril passado em Bruxelas, na Bélgica, os produtos acreanos cruzam o planeta e vão até ao mundo árabe, mais precisamente no Kuwait, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.

Foi no Golfo Pérsico que esteve por 10 dias, recentemente, o diretor-presidente da Agência de Negócios do Acre (Anac), Inácio Moreira, conversando com os homens de negócios do petróleo interessados em participar de parcerias com empresas brasileiras que produzam alimentos para que as populações de seus países tenham segurança alimentar pelas próximas décadas.

Inácio Moreira fala aos sheiks das potencialidades do produtos acreanos - Foto DivulgaçãoInácio Moreira fala aos sheiks das potencialidades do produtos acreanos - Foto Divulgação

“Fortalecemos a presença e a imagem da agricultura brasileira no Oriente Médio” diz Inácio Moreira, ao fazer para o Expresso Amazônia um balanço da viagem de negócios que empreendeu pelo mundo árabe, integrando uma delegação brasileira, tendo à frente o Ministério da Agricultura (Mapa), que manteve contatos com ministros, líderes empresariais, gestores públicos, pesquisadores e órgãos da mídia dos quatro países orientais.

“Nos muitos encontros que tivemos, ficou clara a importância estratégica que esses países do Golfo Pérsico atribuem ao Brasil. Os resultados dos encontros foram excelentes em diversos aspectos”, diz Moreira, que mostrou as potencialidades da piscicultura, suinocultura, avicultura, da castanha, das frutas acreanas e de outros alimentos que o Acre pode produzir em escalas ainda maiores para exportar aos países árabes.

Reunião de membros da missão de negócios do Brasil ao mundo árabe - Foto DivulgaçãoReunião de membros da missão de negócios do Brasil ao mundo árabe - Foto Divulgação

Segundo o presidente da Anac, pressionados pelo clima árido, pela carência de recursos naturais e pelo risco da insegurança alimentar, os países do Golfo Pérsico enxergam o Brasil como um país amigo e um provedor confiável de alimentos. “O desejo deles de investir na agricultura brasileira é evidente, muito embora ainda não estejam claros os mecanismos e estratégias a serem priorizados”, acrescenta.

Na agenda dos encontros nos quatro países, ainda de acordo com Inácio Moreira, foram priorizados contatos oficiais, visitas a empreendimentos, seminários e rodadas de negócios. “Um dos pontos importantes na pauta foi a reafirmação da qualidade dos produtos exportados pelo Brasil e os esclarecimentos sobre a crise decorrente da Operação Carne Fraca”, completa Moreira, ao acrescentar que a promoção da imagem e da sustentabilidade da agricultura brasileira e a atração de investimentos e cooperação tecnológica foram outros temas de destaque nos encontros que manteve na visita aos países árabes.

Alguns dos produtos brasileiros exportados para o CatarAlguns dos produtos brasileiros exportados para o Catar

No geral, segundo o presidente da Anac, a missão brasileira no Golfo Pérsico deixou muito evidente a necessidade de se instituir processos de inteligência estratégica que ajudem a agricultura nacional a se preparar para atender a mercados cada vez mais exigentes, mas também mais diversificados e rentáveis.

“Outra certeza que emerge dessa missão é que estamos inseridos em um mundo de crescente complexidade. E só vamos compreender esta realidade se nos aventurarmos mais para além das nossas fronteiras. Nenhum país que opere em isolamento terá futuro promissor”, acrescenta.

A missão do presidente da Anac ao Golfo Pérsico foi muito promissora - Foto DivulgaçãoA missão do presidente da Anac ao Golfo Pérsico foi muito promissora - Foto Divulgação

Relação entre estados e países é imperativo ao futuro sustentável

No entender do presidente da Anac, Inácio Moreira, a construção de boas relações e interdependências entre estados e países é um imperativo na busca de um futuro sustentável. “Missões como a que agora finda (no Golfo Pérsico) contribuem enormemente para essa busca. E nos ajudam a compreender que os extraordinários excedentes que a nossa agricultura produz nos oferecem o melhor caminho para posicionar o Brasil como uma potência no mundo”, assinala.

Por fim, Inácio Moreira lembra que nove delegações de estados brasileiros, com secretários de Estado, empresários, representantes de bancos e federações de indústrias, comércio e agricultura, além de embaixadores de vários países, inclusive os vizinhos do Peru e da Bolívia, já estiveram visitando nos últimos anos e enalteceram as experiências da agroindustrialização que estão sendo realizadas no Acre através das promissoras e exitosas parcerias pública, privada e comunitária, onde ganham os grandes, os médios e milhares de pequenos agricultores do estado.

Visita dos brasileiros repercutiu nos jornais dos países árabes - Foto DivulgaçãoVisita dos brasileiros repercutiu nos jornais dos países árabes - Foto Divulgação

O que Inácio Moreira enaltece pode ser exemplificado, por exemplo, na visita que o ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Roberto Mangabeira Unger, fez ao Acre, em junho de 2015, para conhecer as modernas plantas industriais construídas nos últimos seis anos e meio pelo governo Tião Viana através da tríplice parceria.

Após conhecer o Complexo de Piscicultura e uma das fábricas de beneficiamento de castanhas, da Cooperacre, Mangabeira Unger elogiou a base do desenvolvimento sustentável do Acre, que tem gerado muita renda e muitos empregos sem precisar desmatar mais sua floresta, preservada em 87% dos 16,5 milhões de hectares que formam o território acreano.

Ministro Mangabeira Unger visitando o Complexo de Piscicultura ao lado do governador Tião Viana - Foto Gleilson Miranda, Secom-ACMinistro Mangabeira Unger visitando o Complexo de Piscicultura ao lado do governador Tião Viana - Foto Gleilson Miranda, Secom-AC

“O grande desafio do Acre e da Amazônia é passarem do extrativismo artesanal para uma produção sustentável de grande escala, com base em tecnologia e na ciência. Aqui vi o exemplo de um caminho que permitirá a Amazônia ser vanguarda da nova estratégia de desenvolvimento nacional”, disse o ministro, ao sair do Complexo de Piscicultura, em Rio Branco, um dos maiores e mais modernos da América Latina.

Muito surpreso com a dimensão do projeto, o estrategista do então governo Dilma Rousseff destacou que o modelo do Acre pode se estender por toda a Amazônia, pois o estado traduz o exemplo de algo que precisa ser feito no país. “Temos uma cultura empreendedora, vibrante. A nossa tarefa é combinar o dinamismo humano que existe no Brasil com tecnologia, ciência e bem-estar. Aqui está um exemplo disso”, completou.

Ao lado de Mangabeira, o governador Tião Viana ressaltou ser ele um ministro que carrega a responsabilidade de fazer o Brasil enxergar, não só o presente, mas o futuro. “Ele entende que o Brasil precisa de positivismo inclusivo para produzir com qualidade. Estamos fazendo um esforço para conciliar uma economia que incorpore tecnologia, positividade, oferta, receita e qualidade de vida”, assinalou Tião Viana.

(*) Com Ana Paula Pojo, da Secom-AC

Submit to DeliciousSubmit to DiggSubmit to FacebookSubmit to Google PlusSubmit to StumbleuponSubmit to TechnoratiSubmit to TwitterSubmit to LinkedIn