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Expresso é um dos jornais que mais denuncia as más intenções de Temer na Amazônia

Escrito por Romerito Aquino em . Publicado em Especiais

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Em fevereiro deste ano, semanário já alertava que milhões de hectares da grande floresta iriam virar pó com Temer, que revoga decreto da Renca

A área da Renca, entre o Pará e o Amapá, corresponde a mais de um quarto dos 16,6 milhões de hectares do Acre - Foto DivulgaçãoA área da Renca, entre o Pará e o Amapá, corresponde a mais de um quarto dos 16,6 milhões de hectares do Acre - Foto Divulgação

O semanário Expresso Amazônia foi uma das primeiras publicações brasileiras a denunciar, em reportagens e artigos, as más intenções do governo golpista de Michel Temer de vender a floresta amazônica para grupos nacionais e internacionais a fim de fazer caixa para concretizar várias finalidades nada republicanas.

Além de servir para cobrir o desemprego e o rombo das contas públicas, que Temer já ajudou a ampliar de forma significativa no país, o dinheiro da venda da grande floresta também seria usado por ele para continuar comprando deputados e senadores, tanto para aprovar a reforma da previdência contra os pobres brasileiros, quanto para escapar da segunda denúncia da Procuradoria Geral da República, que, além de corrupto, o acusa agora de chefe de quadrilha.

Depois de ser bombardeado com críticas de ambientalistas e organizações nacionais e internacionais de meio ambiente, o governo Temer decidiu na semana passada revogar o decreto que extinguia a reserva da Renca, entre o Pará e o Amapá, e permitiria a atividade de mineração na Amazônia por grandes mineradoras internacionais, o que também foi muito criticado em matéria publicada por este semanário.

Em fevereiro deste ano, o Expresso Amazônia já publicava que o “governo Temer pode fazer florestas protegidas virarem pó na Amazônia”. A manchete do semanário se referia à redução de 35% das áreas de florestas protegidas no Estado do Amazonas, equivalente a quase um quarto da Renca do Pará e Amapá e superior à área da reserva extrativista acreana Chico Mendes, a maior do Brasil.

Matérias publicadas no Expresso Amazônia sobre a Renca e outros assuntos relacionados ao meio ambiente amazônico - Foto ReproduçãoMatérias publicadas no Expresso Amazônia sobre a Renca e outros assuntos relacionados ao meio ambiente amazônico - Foto Reprodução

Para atender a políticos amazonenses, defensores de grandes madeireiros e pecuaristas que há anos devastam a região Sul do maior estado florestal do planeta, Michel Temer iria reduzir em 35% as áreas protegidas da Reserva Biológica do Manicoré, do Parque Nacional de Acari, das Florestas Nacionais do Apurinã e de Urupadi e da Área de Proteção Ambiental dos Campos de Manicoré.

A redução das unidades de conservação amazonenses gerou protesto de muitas entidades ambientalistas, encabeçado pelo Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB), que lançou manifesto contra a possível decisão favorável à exclusão preservacionista, correspondente a 0,63% do território amazonense.

Credibilidade do Brasil seria comprometida

“Remover esta proteção de um milhão de hectares contribuirá para o já notável aumento do desmatamento na Amazônia, comprometendo também a credibilidade do Brasil diante da comunidade internacional, influenciando negativamente a imagem conquistada após esforços bem-sucedidos no combate ao desmatamento e às mudanças climáticas”, assinalava o manifesto, assinado pelo Greenpeace Brasil, Imazon, ISA, do WWF-Brasil e mais 12 entidades ambientalistas.

Em 14 de agosto passado, o semanário Expresso Amazônia trouxe outra manchete assinalando que o “governo Temer compra votos com destruição da Amazônia”. Tratava-se da informação de que, para comprar votos de parlamentares da bancada ruralista na Câmara para escapar da primeira denúncia de corrupção apresentada pela PGR, o atual presidente iria propor, em projeto de lei, a redução de 27% da Floresta Nacional do Jamanxim, no Pará.

Pequena parte da grande área da Renca entre o Pará e o Amapá - Foto G1Pequena parte da grande área da Renca entre o Pará e o Amapá - Foto G1

O assunto também foi manchete do jornal britânico Financial Times, que classificou Temer “como o maior agressor da Amazônia” e o denunciou por trocar árvores por votos ao concordar em apoiar as demandas do lobby rural do Brasil por redução das áreas protegidas da região. A bancada ruralista da Câmara sempre lutou para reduzir as áreas de florestas protegidas para transformá-las em pastagens de gado.

A reportagem do jornal britânico também informava que representantes de organizações ambientais internacionais, como a WWF, garantem que 9,2 milhões de hectares de florestas na Amazônia - equivalente ao tamanho de Portugal, a 56% do território acreano e ao dobro da área da Renca - estão sob ameaça de Temer e do poderoso lobby rural que almeja diminuir as áreas brasileiras de conservação.

Mineração pode impactar meio ambiente de 70% do PIB sul-americano

Em uma grande manchete de capa na sua edição de número 58, de 24 a 30 de agosto, o Expresso Amazônia assinalava que a “mineração liberada na Amazônia assusta o mundo”. O semanário se referia à expedição, na surdina, no Diário Oficial da União, sem qualquer discussão com os brasileiros, do decreto de Michel Temer que simplesmente extinguia a reserva de minerais denominada Renca.

A extinção da reserva iria permitir a exploração de minérios por multinacionais, que iriam devastar nada menos que 4,6 milhões de hectares de unidades de conservação entre o Pará e o Amapá, equivalente a mais de um quarto do território acreano e a todo o Estado do Espírito Santo.

Em 23 de fevereiro de 2017, o Expresso Amazônia já denunciava a intenção do golpista Michel Temer destruir a Amazônia - Foto ReproduçãoEm 23 de fevereiro de 2017, o Expresso Amazônia já denunciava a intenção do golpista Michel Temer destruir a Amazônia - Foto Reprodução

“A notícia passou longe de ser a da explosão de uma bomba nuclear, mas sua repercussão teve um efeito devastador que estremeceu e abalou o meio ambiente de todo o mundo, preocupando milhões de pessoas e organizações que cuidam do equilíbrio climático do planeta”, assinalava a manchete do jornal semanário especializado em economia amazônica. A notícia varreu o Brasil e o mundo e, na última terça-feira, acabou levando o governo Temer a revogar o decreto.

Os protestos de políticos, ambientalistas e especialistas no setor, tanto no Brasil quanto no exterior, foram imediatos porque estão incluídos atualmente na reserva sete unidades de conservação, sendo três de proteção integral e quatro de uso sustentável, além de duas terras indígenas.

As três unidades de proteção integral são a Estação Ecológica do Jari, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque e a Reserva Biológica de Maicuru. As quatro unidades de uso sustentável são a Reserva Extrativista Rio Cajari, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapuru, a Floresta Estadual do Amapá e a Floresta Estadual do Paru. Rio Paru d'Este e do Waiãpi são as duas áreas indígenas.

Sendo todas de autoria do jornalista Romerito Aquino, as matérias publicadas no Expresso Amazônia são complementadas com artigo publicado pelo mesmo profissional no site www.brasil247.com, no dia 5 de setembro, Dia da Amazônia. O artigo revela que pesquisadoras da Unicamp garantem que a mineração defendida por Temer na Amazônia pode impactar fortemente o meio ambiente de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul.

Artigo do jornalista Romerito Aquino, do Expresso Amazônia, publicado no site www.brasil247.com - Foto ReproduçãoArtigo do jornalista Romerito Aquino, do Expresso Amazônia, publicado no site www.brasil247.com - Foto Reprodução

As pesquisadoras Carolina da Silveira Bueno e Thais Bannwart, respectivamente, doutoranda e mestranda da Unicamp, escreveram artigo na revista Carta Capital mostrando a real dimensão da tragédia socioambiental se a Reserva Nacional de Cobre e Seus Associados (Renca) fosse aberta à exploração pelas grandes companhias mineradoras mundiais.

Ecossistema singular para a regulação climática

“O desequilíbrio socioambiental que será provocado se mineradoras privadas forem explorar essa região trará consequências catastróficas irrefutáveis”, ressaltam as pesquisadoras, ao lembrarem que a floresta amazônica constitui um ecossistema de importância singular para a regulação climática do Brasil e do mundo.

As pesquisadoras da Unicamp lembram que pesquisas realizadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, em parceria com o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelam que a floresta amazônica produz um fenômeno conhecido como “rios voadores”.

Os rios voadores são rios aéreos de vapor bombeados para atmosfera pela floresta e explicam por que a região do quadrilátero que vai de Cuiabá a Buenos Aires, de São Paulo aos Andes, é uma região verde e úmida, enquanto as outras regiões de mesma latitude do mundo são compostas por desertos.

Segundo as pesquisadoras, os rios voadores são os serviços ecossistêmicos que provêm as condições climáticas adequadas para que esse quadrilátero seja responsável por 70% do PIB da América do Sul, onde se concentram a maior parte da produção agrícola, industrial e onde estão os seus grandes centros urbanos.

“O desmatamento inerente à mineração em uma área do tamanho da Renca certamente contribuirá para o desequilíbrio da dinâmica invisível dos rios voadores, comprometendo a produção de alimentos, atividades industriais e o abastecimento de água nas regiões que compõem o quadrilátero”, alertam as pesquisadoras. (R.A.)

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