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Povo indígena Ashaninka visto pelos olhos do mundo

Escrito por Tião Maia em . Publicado em Especiais

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Memorial da América Latina em São Paulo mostrará pesquisas sobre a forma de se alimentar dos índios do Juruá, no Acre

O peixe faz parte da dieta de todos os povos indígenas, principalmente dos Ashnainka - Foto ApiwtxaO peixe faz parte da dieta de todos os povos indígenas, principalmente dos Ashnainka - Foto Apiwtxa

Mesmo com todos os retrocessos na política de preservação ambiental do país e dos povos indígenas tradicionais por parte do atabalhoado governo de Michel Temer, surge no Acre, mais precisamente na fronteira do Brasil com o Peru, um sinal de que nem tudo está perdido na área.

Depois de ser uma das vencedoras do Prêmio Equatorial 2017, promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), da Organização das Nações Unidas (ONU), consagradora das 15 melhores iniciativas de solução sustentável para desafios voltados à proteção e promoção de pessoas, comunidades e do meio ambiente, a organização Apiwtxa, ligada à Associação dos Povos Ashaninka do Rio Amônia, em Marechal Thaumaturgo, no Alto Juruá, Acre, volta a chamar a atenção do mundo, agora pela qualidade dos produtos relacionados à segurança alimentar.

Representantes Ashaninka recebem prêmio da ONU em Nova York - Foto Arnaldo Vargas-UNDPRepresentantes Ashaninka recebem prêmio da ONU em Nova York - Foto Arnaldo Vargas-UNDP

Um evento a ser promovido no dia 27 de outubro, no Memorial da América Latina, em São Paulo, chamado “Mesa Tendências”, vai mostrar o resultado de uma pesquisa realizada na aldeia, no final do mês de julho e início de agosto, sobre a Cultura Alimentar deste povo indígena acreano, que foi objeto inclusive de longa abordagem da edição de setembro da revista “Prazeres da Mesa”, que apresenta reportagem sobre a imersão de chefes de cozinha de renome internacional na cultura alimentar dos Ashanika.

Assinada pela jornalista e diretora da revista, Mariella Lazaretti, com fotos de Ricardo Dangelo, a reportagem, de cinco páginas, registra a peculiaridade da cozinha indígena, com seu rico universo de costumes e tradição. A equipe da revista esteve na aldeia Apiwtxa a convite do governo do Estado e da comunidade local. Um grupo de chefs e gestores ligados ao setor gastronômico e de hospitalidade do governo, coordenado pelo gabinete da primeira-dama Marlúcia Cândida, participou da imersão, durante três dias, e o resultado está publicado na edição de setembro da revista.

A forma como se alimenta os povos Ashaninka chama a atenção dos pesquisadores - Foto ApiwtxaA forma como se alimenta os povos Ashaninka chama a atenção dos pesquisadores - Foto Apiwtxa

Gastronomia amazônica de baixo carbono

Segundo Marlúcia Cândida, o que ocorreu na aldeia e a publicação da revista são resultados da preparação da Conferência Internacional Katoomba Acre Gastronomia Amazônica de Baixo Carbono, que vai ocorrer em Rio Branco, de cinco a sete de junho de 2018. O evento será realizado no Centro-Escola de Gastronomia da Cidade do Povo, em Rio Branco, e a realização conta com a participação da organização internacional Forest Trends.

A condutora da imersão na aldeia foi a chef Mara Alcamin, empresária do ramo gastronômico que atua em Brasília e ali desenvolve, desde o ano passado, projetos de formação no Acre buscando difundir a gastronomia acreana em vários espaços e eventos nacionais. Será parte deste conteúdo vivenciado por Mara Alcamim que será apresentado na palestra “A cultura alimentar do Acre indígena”, na Semana Mesa São Paulo, no dia 27 de outubro, às 15h30, no Memorial da América Latina, no palco Mesa Tendências.

Limpando o peixe, alimento básico da dieta do povo Ashaninka - Foto Ricardo D’ÂngeloLimpando o peixe, alimento básico da dieta do povo Ashaninka - Foto Ricardo D’Ângelo

“Foi uma vivência maravilhosa. O registro feito pela revista é importante e difunde a riqueza da cozinha do povo Ashaninka, sua cultura para o mundo, além de revelar o saber do que os povos da floresta se alimentam, o que a floresta oferece, o que essas pessoas trazem na história de vida delas. Será essa rica narrativa que Mara apresentará no palco Mesa Tendências”, diz Marlúcia Cândida sobre o evento do próximo dia 27.

Valorizar a cultura alimentar dos povos indígenas

A ideia da Conferência Internacional Katoomba Acre Gastronomia Amazônica de Baixo Carbono do próximo ano é que sejam apresentadas propostas para o evento que reunirá profissionais e especialistas que trabalham com sistemas alimentares da Amazônia. A conferência terá como objetivo incentivar a evolução de princípios para o desenvolvimento ético e sustentável da gastronomia amazônica e promover oportunidades de investimento na construção de novas empresas alimentares na região.

Peixe curimatã assado enrolado na folha de sororoca, acompanhado de macaxeira e farinha - Foto Rose FariasPeixe curimatã assado enrolado na folha de sororoca, acompanhado de macaxeira e farinha - Foto Rose Farias

A principal liderança Ashaninka Francisco Piyãko destaca que a parceria com a associação de seu povo e do governo do Estado busca uma pesquisa de caráter inovador por valorizar a cultura alimentar dos povos indígenas, a diversidade, o conhecimento tradicional e a segurança nutricional. “Temos muito a ensinar sobre como sobrevivermos na floresta nos alimentando apenas daquilo que a natureza oferece”, assinala.

Sobre o prêmio outorgado pelas Nações Unidas, Francisco Piyãko ressalta que se trata de um concurso bianual criado em 2002 e que, em 2017, recebeu mais de 800 inscrições de 120 países. Os vencedores brasileiros foram a Associação Ashaninka do rio Amônia e a Associação Terra Indígena Xingu (Atix), que está localizada no estado do Mato Grosso. Cada uma recebeu em Nova York 10 mil dólares para serem investidos na continuidade dos trabalhos. A premiação reconhece as ações desenvolvidas pela entidade na defesa da floresta e dos povos tradicionais.

A primeira-dama do Acre, Marlúcia Cândida (dir.), é parceira do projeto dos Ashaninka - Foto ApiwtxaA primeira-dama do Acre, Marlúcia Cândida (dir.), é parceira do projeto dos Ashaninka - Foto Apiwtxa

Incentivos de políticas públicas para as aldeias

O assessor especial do governo do Estado para assuntos indígenas, Zezinho Kaxinawá, diz que o anúncio do prêmio foi recebido com grande alegria por todos os povos indígenas do Acre e que isso é possível também porque aldeia recebe incentivos de políticas públicas executadas pela gestão estadual. Entre tais políticas, o assessor destacou investimentos na área de produção, na segurança alimentar, no turismo e educação.

“O governo apoiou com um milhão e duzentos mil reais na agroindústria para instalação da despolpadeira de frutas e tem apoiado na compra de mudas para reflorestamento”, detalha o assessor. Ele observa que, somente na área de produção indígena, a gestão estadual investiu cerca de R$ 57 milhões e, até o final de 2018, estão previstos mais R$ 28 milhões em investimentos. “Hoje, o Acre é o único estado brasileiro com um governo que tem essa inclusão dos povos indígenas dentro da gestão e a execução de políticas públicas nas terras indígenas”, completa Kaxinawá. 

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