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Leo de Brito: o golpe contra o povo brasileiro está a caminho

Escrito por Romerito Aquino em . Publicado em Política

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O deputado federal Leo de Brito (PT-AC), presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, da Câmara dos Deputados, faz questão de esclarecer que o processo de golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, eleita por mais de 54 milhões de brasileiros, não termina nesta terça ou quarta-feira, quando o Senado prevê o encerramento do processo de impeachment.

Leo de Brito prevê sérios prejuízos do golpe para o país - Foto: Romerito Aquino

Segundo o parlamentar, o golpe verdadeiro, aquele que será dado contra o povo brasileiro, já começou e vai apenas ser intensificado a partir desta semana com as medidas impopulares que serão tomadas, numa escalada autoritária e repressora, pelo possível governo definitivo de Michel Temer, que vem comandando o golpe com a ajuda do deputado Eduardo Cunha.

Para Leo de Brito, serão tempos amargos para a população, com redução dos direitos trabalhistas, aumento do tempo de aposentadoria dos trabalhadores, aumentos de energia elétrica, privatização de empresas brasileiras, redução de investimentos, mais desemprego e, principalmente, priorização dos estados do Sul e Centro Sul em detrimento dos estados pobres do Norte e Nordeste brasileiro, que já começaram a perder na PEC da renegociação das dívidas dos estados, em tramitação no Congresso Nacional. Veja, a seguir, a íntegra da entrevista.

Como você está vendo o impeachment da presidenta que será votado essa semana no Senado?

Vejo o golpe com tristeza. Mas vejo uma possibilidade mínima de nós conseguirmos reverter essa situação, mas por conta das votações anteriores, imagino que será muito difícil que essa situação seja revertida. Na verdade, a decisão que está sendo tomada é uma decisão que não tem base, não tem fundamento jurídico.

Por que é um golpe?

Porque é uma decisão política tomada por uma elite no nosso país, uma elite empresarial que é subserviente aos interesses internacionais junto com uma classe política que decidiu tomar o poder na marra. Um jovem lá no município de Capixaba fez num dia desses um pronunciamento dizendo assim: ‘estão tirando a Dilma do poder na tora’. É uma forma de falar da juventude, mas nada traduz melhor esse impeachment do que a fala desse jovem.

Vamos reviver, então, os tempos das eleições indiretas para presidente?

Na verdade, esse processo de impeachment foi transformado num colégio eleitoral. Assim foi na Câmara, onde não se falou quase nada sobre o crime de responsabilidade. E o impeachment sem crime de responsabilidade é golpe. E da mesma maneira está ocorrendo no Senado, onde realmente o que está valendo é a negociação que o presidente interino Michel Temer está fazendo com os senadores em troca de ministérios e de cargos públicos. E o que parece é que ele tem sido bem-sucedido nessa situação. Mas a história vai demonstrar para todo mundo a injustiça que está sendo feita contra uma mulher honrada, que não cometeu crime. Vai lembrar da traição, do punhal nas costas que ela (Dilma) recebe nesse momento de uma pessoa em que ela confiou, que é o atual vice-presidente da República.

Quais as consequências disso tudo para o país?

O verdadeiro golpe vai acontecer depois do impeachment com as medidas leoninas e muito duras que vão ser tomadas contra o povo brasileiro, sobretudo com os trabalhadores. Nós já estamos vendo isso acontecendo, com o compromisso do golpe, o compromisso que o Michel Temer assumiu para ser, junto com o Eduardo Cunha, o capitão do golpe. Ficou muito claro nas delações do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que depois de feito o golpe ao PT e à presidenta Dilma, a ordem é jogar todo o ataque para continuar o esquema de corrupção no país.

Se golpe passar, PSDB volta a governar o Brasil

É a volta do PSDB governando o Brasil?

Todo mundo tem visto que tanto o PSDB, quanto o PMDB e vários outros partidos, que compõem a confraria do golpe, fazem parte de esquema de corrupção. Essa é uma das ações que serão feitas para pagar o golpe. O que os golpistas querem é justamente jogar essa sujeira para debaixo do tapete, como se fazia na época do governo Fernando Henrique Cardoso.

Esse esquema vai beneficiar principalmente o senador Aécio Neves, que perdeu as eleições para Dilma?

O Aécio Neves é um dos mais interessados porque já foi citado oito vezes nas delações da Operação Lava Jato. Aparentemente, essa briga que o ministro Gilmar Mendes, do STF, começou a comprar agora com o Ministério Público é porque exatamente na delação da OAS, que pode agora ser anulada, enquanto nenhuma das outras delações foram anuladas, compromete muito fortemente José Serra (atual ministro interino das Relações Exteriores, acusado de receber R$ 23 milhões em propinas) e o senador Aécio Neves. A ideia é jogar tudo isso para debaixo do tapete.

Vamos ter, então, um novo governo de FHC no país?

Outro pagamento é voltar a tudo aquilo que aconteceu na década de 1990 durante o governo de Fernando Henrique, do PSDB, onde houve a privatização das empresas brasileiras. Agora, vai ser a entrega do pré-sal do petróleo para o estrangeiro. Com a PEC 241 estabelecendo o teto dos gastos públicos, vamos ter os recursos para a saúde e a educação fortemente atingidos. Isso vai comprometer o Plano Nacional de Educação e todas as unidades de atendimento de saúde de todos os municípios brasileiros. No geral, vai haver um arrocho no serviço público para pagar juros da dívida, para pagar banqueiros, que é o que sempre foi feito nos governos do Fernando Henrique.

O que vai acontecer com as regiões menos desenvolvidas do país?

Vamos ter o governo golpista literalmente virando as costas para o Norte e Nordeste, pois isso já está sendo anunciado. Estamos vendo a privatização das empresas de distribuição de energia, inclusive a Eletroacre, onde haverá demissões, aumento de tarifa de energia, precarização dos trabalhos e redução dos investimentos, o que vai comprometer o programa Luz para Todos. Estamos vendo aí o PLP 257 (renegociação das dívidas dos estados) que só vai beneficiar os Estados do Sul e do Sudeste, com as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste ficando a ver navios. Não vamos ter a reposição do FPE (Fundo de Participação dos Estados), cujo prejuízo no Acre, por exemplo, já ultrapassa a R$ 1 bilhão. Vamos ter demissão no serviço público, como vai acontecer no Incra com a demissão de 389 técnicos de assistência ao trabalhador rural. Vamos ter o corte do programa de aeroportos regionais, que previa a ampliação e reforma de 270 aeroportos, inclusive quatro no Acre, sendo que três (Porto Walter, Tarauacá e Cruzeiro do Sul) já foram cortados e só sobrou o de Marechal Thaumaturgo.

E vão fazer tudo isso na marra e na força policial?

Vamos ter agora uma escalada autoritária porque onde essas medidas, que são medidas impopulares, causarem protestos, os que estarão protestando serão fortemente repelidos, como serão repelidos os que protestarem contra a reforma da Previdência Social, com o aumento da idade de aposentadoria, os que protestarem contra o ataque que farão aos direitos trabalhistas, onde serão rediscutidos décimo terceiro, férias, jornada de trabalho e outros direitos, significando a morte da CLT (Consolidação das Leias Trabalhistas). Vamos ter uma escalada autoritária, de perseguições políticas e, claro, as regiões menos desenvolvidas como as do Norte e Nordeste vão ficar a ver navios.

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